Nível de atividade da indústria paulista cresceu 6,1% em fevereiro
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 30 (AE) - O crescimento de 6,1%, em fevereiro
do indicador do nível de atividade (INA) veio em decorrência do bom desempenho do setor de material de transporte que apresentou uma elevação de 10,9% em comparação com janeiro deste ano. A explicação é da diretora do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Clarice Seibel.
Segundo ela, a elevação da produção do setor de material de transporte tem duas explicações: o aquecimento do mercado de máquinas agrícolas à medida que se espera uma elevação na renda agrícola e o aumento da produção do setor de autopeças em decorrência da assinatura do acordo emergencial do setor automotivo. De acordo com a diretora da FIESP a redução de férias coletiva nas indústrias em fevereiro, em comparação com os meses de dezembro e janeiro, é outra justificativa para o crescimento da atividade industrial no mês passado. "O patamar de produção da indústria paulista continua, no entanto, bastante baixo", disse Clarice lembrando que o INA de fevereiro em comparação com o do mesmo mês de 1998, apresentou uma queda de 8%. Segundo ela esse pequeno aquecimento do segmento do material de transporte trouxe um "alívio" no indicativo geral que teria pequeno efeito num período de normalidade econômica.
De acordo com a FIESP o nível de atividade em fevereiro ainda não refletiu inteiramente a flexibilização do câmbio e "o cenário de incertezas que prevalece na economia brasileira". Enquanto os segmentos de material de transporte e metalúrgico foram beneficiados pela mudança na política cambial, o setor de material plástico, pela dificuldade e dependência de importação de matérias-primas, foi prejudicado. Outros setores não teriam refletido a alteração do câmbio, como o setor de minerais não-metálicos (cimento).
O aumento do nível de atividade industrial não se refletiu nas vendas, que tiveram queda de 4,4% em fevereiro na comparação com o mês de janeiro. "Os consumidores estão retraídos porque ou não confiam nas condições macro econômicas ou perderam a capacidade de consumo" afirmou Clarice. Segundo ela o aumento da produção levará consequentemente a aumento de estoques, que serão, em parte, destinados a exportação e, em parte, regulado nos fluxos de atividade das empresas.
Expectativa de Vendas - De acordo com a pesquisa conjuntural feita junto a empresários consultados pela Fiesp, o mês de março apresentará vendas melhores do que as de fevereiro. Sete setores informaram que esperam um desempenho melhor neste mês. São eles: papelão ondulado, autopeças, automobilístico, têxteis, máquinas, plástico e farmacêutico. O setor automobilístico seguramente terá o melhor desempenho, já que apontou um salto de vendas de 240% em relação ao mês de fevereiro deste ano. Na comparação entre março deste ano e do ano passado o setor terá um crescimento de 14%, em decorrência do acordo emergencial do setor.
O setor de perfumaria terá vendas estáveis em março enquanto os setores de tintas e alimentação esperam queda nas vendas em relação ao último mês de fevereiro. Na comparação entre março deste ano com o mesmo mês do ano passado os setores com queda de vendas foram: papelão ondulado, tintas, plástico, autopeças, alimentação, têxtil e máquinas. Os setores de perfumaria, farmacêutico e química tiveram um desempenho estável e apenas o setor automobilístico registrou alta em suas vendas.
Mudança na metodologia - Clarisse Seibel informou que a metodologia de cálculo do INA foi aprimorada. Foi mantida a sistemática de apuração ao anterior, com o levantamento de uma série de informações conjunturais, mas o indicador passará a refletir a introdução de variáveis macroeconômicas e outros indicadores. Segundo ela a mudança busca uma sintonia fina entre o indicador e a dinâmica da indústria paulista nos últimos anos, o que aumentará a capacidade de previsão desse indicador. Assim, a partir do próximo mês a Fiesp deverá divulgar projeções de curto prazo (dois meses) da atividade industrial, além do indicador de atividade do mês. Outra novidade será a indicação em separado do desempenho de 11 setores industriais do Estado, ao lado do INA global que refletirá o desempenho do setor industrial como um todo. Neste mês a divulgação do crescimento de 10,9% do setor de material de transporte foi uma demonst ração de como será feita a divulgação do INA setoralizado.


