São Paulo, 28 (AE) - O nível da atividade da indústria paulista permaneceu próximo da estabilidade em setembro, com uma pequena queda, de 0,1%, em relação a agosto, segundo levantamento de conjuntura feito pelo Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A análise desses dados mostra que, apesar do sinal negativo do Indicador de Nível de Atividade (INA), esse setor produtivo iniciou uma fase de recuperação, que
sem novos fatos negativos, poderá prolongar-se até o fim do ano.
A retomada das exportações estaria contribuindo para esse crescimento, informou hoje a diretora do Depecon, Clarice Seibel. A produção nas indústrias têxteis, do mobiliário e papel e celulose já está próxima do limite da capacidade, o que mostra que, enfim, as exportações estão retomando o ritmo de período anterior a 1994.
Segundo a pesquisa da Fiesp, o índice de ocupação da capacidade instalada da indústria têxtil paulista é superior a 85%, de móveis, de 79,9%, e de papel e celulose, 89,5%.
A indústria química foi a que mais cresceu, entre as indústrias paulistas. A produção de setembro foi 4,1% maior que em agosto, o que é uma forte indicação de que outros setores estão-se recuperando. A aceleração das atividades das indústrias de alimentos e o aumento das vendas dos fabricantes de insumos para a construção civil contribuíram para o aquecimento do setor químico. As exportações de produtos como cloro e soda cáustica também ajudaram a melhorar o desempenho das indústrias do setor. O complexo químico é o maior setor da indústria e sua expansão tem peso elevado no desempenho desse ramo de atividade, disse.
A indústria de alimentos cresceu 1,2% no mês passado e as projeções feitas pela Fiesp mostram que essa retomada deverá manter-se pelo menos até novembro. Esse, porém, não foi o comportamento dos setores metalúrgico e de material elétrico e de telecomunicações. Os conflitos em relação à criação de barreiras alfandegárias pelos Estados Unidos e Argentina para o aço brasileiro prejudicaram fortemente o desempenho das indústrias metalúrgicas. Dados do Depecon mostram queda de 22,2% nas vendas do setor metalúrgico. A queda da produção de veículos e aparelhos da linha branca prejudicaram o setor, que teve um dos piores resultados. Isso também se refletiu na produção de alumínio que, em setembro, foi 23% menor que em igual período do ano passado.
A retomada do crescimento econômico da ásia contribui para a recuperação das exportações brasileiras, disse Clarice. "As análises de conjuntura feitas no Brasil não estão dando a devida importância para o crescimento dos países asiáticos", afirmou a diretora do Depecon. Para Clarice, a retomada da ásia deverá contribuir para compensar os efeitos negativos da retração das economias de alguns países da América Latina, especialmente a Argentina.
A escassez e o custo de crédito e a necessidade de obter
cada vez mais, bons índices de produtividade fizeram com que, o pico da produção industrial, normalmente em agosto, este ano fosse transferido para setembro. "A produção passou a acompanhar as vendas mais de perto", explicou a diretora da Fiesp.

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