Tóquio, 16 (AE-AP) - Sob pressão das dívidas e da queda nas vendas internas, a Nissan Motor Co., segunda maior fabricante de automóveis do Japão, anunciou nesta sexta-feira (16) que, pela primeira vez desde 1951, não pagará dividendos a seus acionistas.
Em comunicado divulgado hoje, a companhia informa que os prejuízos acumulados no exercício fiscal terminado em 31 de março devem ficar em torno de 35 bilhões de ienes, US$ 296 milhões, o triplo do que estava previsto.
A montadora japonesa, que no mês passado acertou uma parceria com a francesa Renault, informou ainda que vai eliminar 5 mil postos de trabalho nas divisões administrativas em todo o mundo e reduzir a capacidade de produção.
Ambas medidas fazem parte de um programa agressivo de reestruturação para assegurar a sobrevivência da empresa, mas sua adoção, na avaliação de analistas do setor, pode ter sido uma das exigências da Renault, que hoje controla 36,8% da Nissan.
O presidente da montadora japonesa, Yoshikazu Hanawa, disse que a meta inicial de produção, que era de 1,7 milhão de unidades, deverá ser reduzida para 1,5 milhão de unidades nos próximos dois ou três anos. A produção doméstica de veículos foi estimada em 1,528 milhão de unidades para o período de 1998/99, bem abaixo da previsão: 1,560 milhão.
Dívidas - No relatório divulgado hoje, a montadora japonesa calcula que a dívida principal consolidada, sobre a qual a companhia paga juros, está em US$ 1,9 trilhão de ienes, US$ 16,1 billhões. De acordo com os novos critérios de contabilidade, adotados a partir de abril, a Renault acredita que a dívida de sua parceira japonesa pode chegar a mais de 4 trilhões de ienes.

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