Nike e Adidas, de novo, decidem Mundial
Miami, 07 (AE-AP) - A final do terceiro Mundial Feminino de Futebol, entre Estados Unidos e China, marca o duelo entre as gigantes multinacionais de artigos esportivos, Nike e Adidas. A batalha é uma repetição da partida decisiva da Copa da França, quando a Adidas, dos franceses, bateu a Nike, da seleção brasileira.
Mas no sábado, no Rose Bowl, em Pasadena, a Nike aparece como favorita. O resultado vai significar milhões de dólares para uma das empresas, que poderá dizer que é o patrocinador oficial da campeã mundial de futebol feminino.
A final também provocará um impacto direto da imagem das empresas em dois dos maiores mercados domésticos do mundo: Estados Unidos e China. A venda de chuteiras para mulheres nos Estados Unidos cresceu 17% no primeiro trimestre de 1999. Os calçados masculinos, no entanto, tiveram um aumento bem menor nas vendas: 3%. Não é por acaso que os preços das chuteiras para mulheres subiu, em média, 7% a mais que as chuteiras dos homens.
A competição entre as empresas tem sido acirrada nos últimos anos, pois as duas têm objetivos comuns: abrir mais espaços em um mercado crescente; e dominar o segmento do futebol, a modalidade esportiva mais popular em todo o mundo. Neste Mundial
a Nike investiu pesado em uma grande campanha publicitária na televisão, tendo a estrela norte-americana Mia Hamm como figura central. A Adidas desembolsou US$ 6 milhões para ser uma das patrocinadoras oficiais da competição.
Em números globais a Nike é maior que a rival alemã, mas no futebol a Adidas lidera as vendas. A empresa norte-americana descobriu a modalidade recentemente, após a Copa de 1994, e, desde então, vem crescendo. A Adidas vem de altos e baixos em seu desempenho de vendas.
Na competição que termina sábado, a Adidas forneceu a bola oficial e vestiu 6 das 16 equipes participantes, incluindo China
Alemanha e Canadá. A Nike, além das anfitriãs, equipou o Brasil e a Nigéria.
"A Nike está comprometida com o crescimento do futebol em todo o mundo", diz Antonio Tijerino, chefe do Departamento de Futebol da empresa. Segundo ele, as vendas da Nike relacionadas ao futebol cresceram oito vezes nos últimos três anos. Na batalha de informação, a Adidas alardeia que suas vendas no segmento estão crescendo o dobro após uma recente reestruturação. "Trabalhamos com a Fifa desde 1970", gaba-se David Wood, relações-públicas da Adidas.
A julgar pela atenção despertada pela equipe liderada pela goleadora Mia Hamm, o Mundial já pode ser considerado um bom negócio para a Nike. O sucesso das garotas em estádios lotados e com transmissões para grandes audiências chegou às primeiras páginas dos jornais, tradicionalmente dominadas pelo beisebol.
"Desde a vinda dos Beatles, em 1964, não vemos nada comparável em termos de impacto sociológico com as adolescentes norte-americanas", avalia Rick Burton, chefe do Departamento de Marketing da Universidade de Oregon.





