Curitiba - Os nove nigerianos clandestinos flagrados no navio turco Yasa Kaputan Erbil, que chegou ao Porto de Paranaguá (Litoral) no último dia 19, vão desembarcar na manhã de hoje. Eles estavam retidos na embarcação por determinação da Polícia Federal.
Segundo o advogado Dálio Zippin Filho, membro da Comissão de Direitos Humanos da seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), foi concedido habeas-corpus para a liberação dos nigerianos na tarde de ontem. O pedido havia sido feito pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e por membros de entidades de defesa dos direitos humanos.
Com a decisão da juíza Gabriela Hardt, da Justiça Federal em Paranaguá, a Agência Marítima Brazilian Por Agents Agenciamento Marítimo, que havia formulado um pedido para o desembarque dos clandestinos, terá que transportar os nigerianos até o território, além de cuidar da segurança dos mesmos e arcar com as despesas de alojamento.
O pedido de asilo político ainda será analisado pela juíza de Paranaguá. ''Mesmo com a liberação saindo hoje (ontem), o desembarque só será feito às 9 horas desta sexta-feira. A decisão já saiu e aguardamos que todo o procedimento seja cumprido', informou Zippin.
Segundo as entidades, os clandestinos têm entre 19 e 25 anos, sete não têm profissão, um é jogador de futebol e outro, professor. Eles informaram que querem o asilo no Brasil porque sofrem perseguição regiliosa na Nigéria. Segundo informações da Comissão de Direitos Humanos da OAB, os nigerianos ficaram trancados em uma sala com apenas um cômodo, sem parede nem ventilação, e estão há treze dias sem tomar banho.
Asilo político
Na manhã de ontem representantes das entidades se reuniram com a Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) para discutir uma solução para o caso. Como resultado, ontem à tarde foi encaminhado um relatório sobre a situação dos nigerianos para o Ministério da Justiça e à Secretaria Especial dos Direitos Humanos, além de um pedido de apoio para o processo de asilo no País.
Segundo o delegado da PF em Paranaguá, Jorge Fayad, o procedimento adotado pelo órgão, que determinou que os clandestinos permanecessem no navio, é comum. ''Mantemos o posicionamento porque se trata da segurança nacional. Qualquer pessoa que quiser entrar no território nacional sem documentação será barrada. Não sabemos a procedência dos clandestinos ou se eles têm alguma doença', justificou.

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