Lagos, 26 (AE-REUTERS) - A comissão eleitoral da Nigéria anunciou hoje (26) que havia tomado medidas extremas para coibir fraudes na eleição presidencial deste sábado, que deve pôr fim a 15 anos de regime militar.
Cerca de 40 milhões de eleitores irão escolher entre o favorito general Olusegun Obasanjo, um ex-governante militar tentando reconquistar o poder 20 anos depois de ter aberto mão dele, e o rival Olu Falae.
"Várias medidas foram tomadas para evitar qualquer possível lapso e a esperada participação maciça irá minimizar práticas incorretas", afirmou o porta-voz da Comissão Nacional Eleitoral Independente, Ibrahim Biu, à REUTERS.
"Tivemos 60 milhões de cédulas eleitorais impressas no exterior para evitar qualquer acusação de diferentes partidos. Elas estão sendo despachadas de helicópteros para 36 estados".
Nenhuma grande agrupação tem ameaçado boicotar a eleição, que promete ser uma das mais ordeiras na tumultuada história de tentativas de estabelecimento da democracia no país produtor de petróleo do Oeste da áfrica.
Países que há um ano marginalizavam a Nigéria pelos abusos dos direitos humanos do ditador Sani Abacha enviaram centenas de observadores eleitoriais.
O general Abdulsalami Abubakar, que asssumiu o poder depois da repentina morte de Abacha em junho último, tem pedido aos nigerianos para votarem em massa a fim de demonstrar a confiança deles no processo, que será concluído com a restauração do poder civil em 29 de maio.
"O presidente que será eleito assumirá depois de 15 anos de regime militar ininterrupto e ele precisa de um grande apoio para governar efetivamente", afirmou Abba Rimi, assessor político de Abubakar, em Abuja.
"Os nigerianos deveriam dar claramente uma forte votação para ele, no mínimo 60% dos votos".
O franco favorito é Obasanjo, que renunciou voluntariamente em 1979, permitindo a posse do último presidente democraticamente eleito do país. Ele defende a plataforma do Partido Democrático Popular, que conquistou a maioria dos votos nas recentes eleições para assembléias locais, estaduais e nacional.
O ex-ministro das Finanças Falae é o candidato de uma frágil aliança de dois partidos, que perdeu dois de seus pesos pesados políticos para o campo de Obasanjo nos últimos dias.
Tanto Obasanjo quanto Falae são iorubas do sudoeste, como o era Moshood Abiola, o presumível vencedor da última eleição presidencial de 1993 que foi anulada pelos militares.
Pela primeira vez numa eleição presidencial, não existe um candidato da maioria muçulmana de língua hausa do norte, que tem dominado a vida política nigeriana sob governos militares e civis desde que o país tornou-se independente da Grã-Bretanha em 1960.
Questões étnicas são muito mais importantes do que ideologia.
Os dois candidatos fizeram promessas semelhantes de um novo começo depois de uma sucessão de ditadores militares que desperdiçaram ou roubaram bilhões de dólares provenientes da venda de petróleo, arrasaram a economia e fizeram da Nigéria um sinônimo de corrupção e abuso dos direitos humanos.

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