Nicéa presta depoimento com colete à prova de balas13/Mar, 19:30 Por Rogério Panda São Paulo, 13 (AE) - A primeira-dama do Município, Nicéa Pitta, chegou hoje, às 13h30, ao Ministério Público Estadual para prestar depoimento. Ela usava um tailleur amarelo que escondia um colete à prova de balas. Cercada por um forte esquema de segurança, ela carregava uma pasta transparente com todos os documentos que, segundo disse, provariam a existência de corrupção na gestão de seu ex-marido, o prefeito Celso Pitta (PTN). O procurador-geral da República em exercício, José Roberto Duran, decretou sigilo absoluto sobre o depoimento e as investigações. Nicéa foi ouvida por quatro promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), dois promotores da Justiça e Cidadania e dois procuradores do setor de crimes de prefeitos. O depoimento começou às 14h05. No 9.º andar, dois policiais militares do serviço reservado e um sargento da Corregedoria guardavam a porta da sala onde a primeira-dama era ouvida. Mesmo no depoimento, Nicéa não tirou o colete. O procurador José Benedito Tarifa não quis revelar se Nicéa fez ou não novas denúncias. "Isso aqui não tem hora para acabar", disse. "Vai muito mais longe do que pensávamos." A reportagem apurou que os documentos trazidos por Nicéa Pitta já estavam nas mãos de pelo menos um promotor desde a madrugada de sábado. Até as 19 horas, o depoimento ainda não tinha terminado. De manhã, durante entrevista coletiva em sua casa, a primeira-dama disse que aceitaria fazer um exame de sanidade mental e estaria disposta a passar por um detector de mentiras. "Eu não tenho ódio (de Pitta), tenho muita pena de todos", disse. "Sou transparente como esta pasta." De acordo com Nicéa o pagamento a vereadores era feito regularmente. Ela também afirmou que era obrigada por Pitta a participar das reuniões entre ele, o presidente da Câmara, Armando Mellão (PMDB), e o secretário do Governo, Carlos Augusto Meinberg, em que era discutido quanto cada vereador receberia. Hoje, a Corregedoria da PM teve de montar uma grande operação para que Nicéa pudesse deixar seu apartamento na Alameda Franca, nos Jardins. A rua foi fechada e o Ímega em que ela estava saiu na contramão. A primeira-dama saiu de sua residência às 11h40 e foi para a sede da Rede Globo, onde deu uma entrevista. Às 13h30, ela chegava ao Ministério Público escoltada por 11 policiais em duas motos e três carros da PM. Por causa do excesso de jornalistas e os cerca de 70 curiosos, segundo a PM, houve tumulto e Nicéa não conseguia nem ouvir as perguntas da imprensa. Até as 18 horas, pelo menos 30 pessoas ainda permaneciam na frente do MPE. "Mulher de fibra, hein, tomara que os promotores a levem a sério," disse a secretária Joana Martins de Oliveira, de 29 anos, que acompanhou a chegada da primeira-dama.

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