Nicéa e Pagura depõe amanhã na CPI dos Medicamentos
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de março de 2000
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 27 (AE) - A primeira-dama de São Paulo, ex-mulher do prefeito Celso Pitta, Nicéa Camargo, e o secretário municipal de Saúde, Jorge Pagura, depõem amanhã (28) na CPI dos Medicamentos. Os deputados esperam obter de Nicéa o máximo de subsídios para a investigação de possíveis irregularidades nas concorrências públicas para compras de medicamentos. Ela prometeu aos parlamentares acrescentar fatos à denúncia de que Pagura teria superfaturado em 25% a compra de remédios.
Nicéa chegou a Brasília hoje à tarde e chegou a cogitar a possibilidade de adiar seu depoimento. Ficou irritada por ter sido informada de que os demais depoentes de amanhã - Pagura e outros quatro - teriam sido convidados; e ela, convocada. Tudo foi esclarecido com um telefonema, hoje pela manhã, para o presidente da CPI, deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS).
"Ela estava com dúvidas, mas expliquei sobre formalidades regimentais", contou Marchezan. Os depoentes tinham, sim, sido convocados. Embora Nicéa também tivesse recebido uma convocação, sua situação se equipararia mais a um convite. "Se alguém vem na condição de convidado, é Nicéa", afirmou Marchezan. "Na ligação, ela não me disse nada sobre não vir e confirmou sua disposição de falar com a CPI."
A CPI atendeu prontamente às solicitações da primeira-dama de São Paulo. Custeou passagens aéreas, a hospedagem e garantiu segurança de agentes da polícia federal. Ela está hospedada no Bristol, um hotel três estrelas que tem convênio com a Câmara. Os deputados só estão preocupados em evitar que Nicéa use a CPI como palco para expor suas divergências com o ex-marido, o prefeito Celso Pitta (PTN).
De Pagura os parlamentares querem detalhes de como são feitas as compras de medicamentos em São Paulo. Os deputados também ouvem amanhã os depoimentos do chefe de gabinete do secretário de saúde, César Castanho, do médico Antonio Vicente Delamanha - que teria feito as primeiras denúncias a Nicéa sobre irregularidades em licitações para compra de remédios - e um diretor do PAS, no Tatuapé, João Giusti de Freitas.
"O que nos interessa nos depoimentos são informações sobre preços, possíveis casos de corrupção e ralos de dinheiro"
afirmou Marchezan."Queremos saber quem compra, quem são os distribuidores e os laboratórios." A idéia é confrontar os dados obtidos na audiência com informações já dadas por outros secretários municipais de saúde, como o do Rio de Janeiro, Ronaldo Gazolla, que garante ter condições de comprar, em concorrência pública, por preços até 90% menor do que o de fábrica.
O deputado Geraldo Magela (PT-DF) esperava obter hoje informações de vereadores de São Paulo que já estão investigando suspeitas de fraude nas licitações municipais para a compra de medicamentos. "Com isso, pretendo me abastecer para montar a estratégia de perguntas", disse Magela. "Mas o importante será o que Nicéa disser; é a partir daí que vamos ter subsídios para questionar os demais depoentes", acredita.


