Ney participa de lançamento de núcleo em Londrina
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quinta-feira, 30 de novembro de 2006
Antônio Mariano Júnior<BR>Reportagem Local 
O lançamento do Núcleo do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), em Londrina, contou com a participação de um ilustre visitante: o cantor Ney Matogrosso, que veio na condição de voluntário da ONG com sede no Rio de Janeiro. A partir de janeiro, a cidade vai abrigar a 101 unidade em território nacional.
O evento aconteceu durante o Encontro de Implementação de Ações de Atenção a Portadores de Hanseníase. De acordo com secretária municipal de Saúde, Josemari de Arruda Campos, o objetivo da reunião foi apresentar as novas políticas que serão implementadas pelo município e que seguem as diretrizes do Plano Nacional de Eliminação da Hanseníase entre 2006 e 2010. ''Estamos com o firme propósito de eliminar a doença enquanto problema de saúde pública. Queremos olhar de frente para um problema antigo e fazer a reorientação aos pacientes, que muitas vezes se encondem porque a sociedade não entende direito o que é a doença'', analisou Josemari.
Conforme a secretária, a partir de 8 de janeiro o tratamento da doença será feito pelo Consócio Intermunicipal de Saúde do Médio Parananapanema (Cismepar) com ampliação de especialidades médicas. Haverá a capacitaçação de profissionais da rede básica de saúde e consequente descentralização da assistência para diagnóstico precoce da hanseníase e o combate ao preconceito e estigma do mal junto à população através de materiais educativos e palestras. Atualmente 140 pesssoas - 120 de Londrina e 20 de cidades vizinhas - recebem tratamento no Centro de Doenças Infecto-Contagiosas (Cidi).
O cantor Ney Matogrosso veio acompanhado do coordenador do Morhan, Artur Custódio. Desde 2000 o cantor vem utilizando seu prestígio como figura pública para chamar a atenção e provocar reflexões sobre o estigma que paira sobre a hanseníase. ''Como grande parte das pessoas eu era ignorante quanto à doença, que para mim não existia mais no Brasil. Constatei que a falta de informação gera um pavor desnecessário já que há remédio e cura para a hanseníase'', disse.
Desde então, o cantor participa como voluntário da ONG e comparece a eventos que possam desmitificar a doença. E nessas andanças diz que pode observar, de um modo geral, o abandono ''vergonhoso'' a que está exposta a saúde pública no Brasil. ''Mas, vagarosamente, vamos conseguindo vencer obstáculos'', diz ele, citando o fato de a doença deixar de ser atrelada ao Departamento de Saúde Pública e redirecionada como questão pertinente dos Direitos Humanos.
No próximo domingo, a Folha2 publica entrevista exclusiva com Ney Matogrosso.


