Newton diz que Minas aplicou "conto do vigário" no governo federal
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segunda-feira, 07 de fevereiro de 2000
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 07 (AE) - O vice-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso (PMDB), disse que, ao assinar na sexta-feira (04) o novo acordo de refinanciamento da dívida com a União, o Estado aplicou o "conto do vigário" no governo federal. Ele respondia a um repórter sobre os eventuais benefícios da federalização de duas estatais mineiras - a Casemg, empresa de armazéns e silos de Minas, e a Ceasa, central de abastecimento -, previstas no acordo. "Isso é o conto do vigário para o governo federal", disse o vice-governador. "Vou ficar com a política agrícola de Minas, vou ficar com o comércio do Ceasa e vou entregar o prédio (da Ceasa, na região metropolitana de Belo Horizonte); e eles vão só administrar o aluguel", disse, acrescentando que o Estado empurrou por bom preço "um abacaxi" para a União.
Um dos jornalistas presentes na coletiva de Newton, dada após a assinatura de convênios de R$ 14,4 milhões com 28 prefeituras para projetos de modernização administrativa, insistiu: "Minas, então, passou a perna no governo?" "Acho que sim", respondeu o vice.
Pelo primeiro acordo da dívida mineira, negociado na gestão do antecessor de Itamar Franco (sem partido), Eduardo Azeredo (PSDB), a Casemg e a Ceasa seriam privatizadas pelo próprio Estado e os recursos estariam destinados a pagar parte da primeira parcela à vista (R$ 1,9 bilhões) do débito global (R$ 18,5 bilhões). O acerto feito entre Itamar e a União, no entanto
estabeleceu que as duas empresas teriam seu capital social vendido ao governo federal, por R$ 331,9 milhões, valor pedido pelo Estado e aceito pelo Tesouro Nacional.
BDMG - Newton também respondeu a críticas feitas por Eduardo Azeredo, de que a moratória mineira, decretada por Itamar em janeiro de 1999 e suspensa com o novo acordo, só teria atrasado o pagamento da dívida e trazido prejuízos ao Estado. Nos 13 meses de moratória, Minas teve R$ 879 milhões bloqueados pela União, por estar se recusando a pagar a dívida, o que teria
na prática, anulado a atitude de Itamar. "Se ele (Azeredo) achar que R$ 500 milhões são perda de tempo, ele tem razão", afirmou Newton, referindo-se ao valor que o Estado teria "lucrado" com a moratória e o novo acordo.
"O problema é que o Azeredo falava amém, sim senhor, para o governo federal", afirmou. "Isso acabou, porque Minas tem hoje um governador (Itamar) que levantou sua voz a favor do Estado." Outro exemplo dos benefícios que a moratória teria trazido, segundo o vice, seria a situação do Banco de Desenvolvimento de Minas (BDMG). Pelo acordo firmado por Azeredo
a instituição seria transformada em agência de fomento, com atuação limitada. "O BDMG foi salvo, porque seria transformado em agência e hoje poderá muito bem captar recursos no exterior"
disse.
Itamar Franco embarcou hoje de manhã para Salvador, onde participaria da missa de sétimo dia do senador Jutahy Magalhães.


