Brasília, 20 (AE) - O vice-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso (PMDB), classificou como "gravíssimas" as denúncias de que o ex-presidente do Banco Central (BC) Francisco Lopes possui dinheiro no exterior na conta do ex-sócio Sérgio Bragança. Para ele, fatos como esses certamente afetam a reputação do governo.
"O governo deve explicações à sociedade", reagiu Cardoso, que veio a Brasília conversar com o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, sobre as dívidas que assegura que o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) tem com o Estado. Segundo ele, certamente, essas denúncias poderão atingir até mesmo o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Para o vice-governador, que alegou ter tomado conhecimento de novas denúncias da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, mas ressalvou que preferia não adiantá-las, há outros fatos que voltarão à baila, agora, como a venda das empresas de telecomunicações. Ele lembrou que um banco espanhol, aproveitando a alta do dólar, adiantou o pagamento de uma parcela da dívida com o governo federal, em US$ 2 bilhões. "Isso é especulação e especulação é crime", afirmou, ao comentar que o banco pagou um valor irreal da moeda.
Sobre a possibilidade do PMDB, partido que integra, deixar a base de apoio ao presidente, por causa do avanço da CPI dos Bancos, Newton Cardoso afirmou que o governo vai precisar da legenda para o País ser governável. "Será muito perigoso se o PMDB deixar a base." Segundo o vice-governador, isso poderá ser avaliado nos próximos dias. O vice-governador acentuou ainda que "o Palácio do Planalto tem um medo horroroso da CPI, que já saiu do controle". "Agora, vem confusão em cima de confusão porque uma denúncia puxa a outra e tem coisas horríveis lá dentro", afirmou.
Na opinião do vice-governador, as denúncias vão atingir "todo mundo, inclusive o presidente, mas, principalmente, quem nomeou Francisco Lopes".
"A situação é muito grave, vai ficar crítica e vamos ter dias de tumulto no País", advertiu, ao lembrar que as denúncias podem atingir Fernando Henrique porque ele defendeu, "com unhas e dentes", o ex-presidente do BC. "Ele considerou condenável a entrada da Polícia Federal na casa do Chico Lopes e isso já é grave", completou.

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