Belo Horizonte, 28 (AE) - O vice-governador de Minas, Newton Cardoso (PMDB), ameaçou hoje divulgar um dossiê contra o presidente Fernando Henrique Cardoso sobre suposta compra de votos de parlamentares para a aprovação do projeto de reeleição, ainda no primeiro mandato. Newton fez a ameaça após a demissão, pelo presidente, do superintendente do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) em Minas, Flávio Menicucci, que ocupou ao cargo por indicação do peemedebista mineiro.
Para o vice-governador, a demissão de Menicucci foi reflexo das críticas que fez ao governo federal, na semana passada, em Brasília. Newton acompahou Itamar em duas solenidades para assinatura de convênios entre o governo de Minas e a União, nos Ministérios de Política Fundiária e do Trabalho. Embora ambas tenham sido interpretadas como o início da aproximação entre Itamar e Fernando Henrique, distantes desde a decretação da moratória mineira, no início do ano, Newton enxergou provocações dos tucanos, principalmente na cerimônia do Ministério do Trabalho.
"Foi uma armação, uma panacéia", disse o vice-governador. Ele se referia ao fato de diversos integrantes do PSDB, desafetos do governador mineiro, terem participado do evento, em que o Estado firmou acordos para transferência de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Fat). Em razão das críticas, entendeu Newton, o presidente teria dispensado Menicucci.
"Eu não me chamo Itamar Franco, para ficar calado", afirmou o vice, que, em seguida, advertiu o presidente: "Ele que se cuide, porque não vou aceitar tentarem colocar paus em meu caminho." Perguntado se pretendia apresentar um dossiê contra Fernando Henrique, Newton garantiu que possui munição pesada. "Eu tenho a história da reeleição que o Brasil não conhece; e não é aquela historinha boba que contam, não", informou, referindo-se a notícias sobre compra de votos de parlamentares, publicadas ela imprensa durante a tramitação do projeto de reeleição, no Congresso. "Sei de muitos deputados", completou, sem dar maiores detalhes.
Newton, que também usou a expressão "chutar o pau da barraca" para ilustrar o que pretende fazer, disse ainda que, antes de qualquer ação, deve conversar com líderes peemedebistas do Congresso. "Antes de fazer qualquer coisa, vou a Brasília conversar com nosso líder e com o presidente da Câmara, para ver até quando vai essa raiva contra Minas Gerais", afirmou. "Vou procurar o entendimento, mas, se não houver, vou botar para quebrar." Quanto à expectativa de tucanos mineiros, que já se mobilizavam, hoje, para indicar um nome ao cargo deixado por Menicucci, o vive-governador foi irônico: "Vou cortar as asas deles."

mockup