New York Times divulga brutalidades do líder do ELK
Nova York, 25 (AE-ANSA) - O líder do Exército de Libertação de Kosovo (ELK), Hashim Thaqi, é supostamente responsável por várias execuções dentro de seu movimento para eliminar potenciais rivais ou dissidentes, escreveu hoje (25) o New York Times.
Apesar de não haver provas diretas de que Thaqi tenha ordenado ou levado a cabo a execução de seus rivais, foi sublinhado que pelo menos meia dúzia de comandantes do ELK ameaçados pelo líder foram logo assassinados em circunstâncias brutais.
"Os cadáveres nunca foram um obstáculo para a carreira de Thaqui", disse ao diário Bujar Bukoshi, premier do "governo no exílio" inspirado pelo líder pacifista Ibrahim Rugova, várias vezes atacado por Thaqi.
A documentação sobre as execuções ordenadas por Thaqi foi reunida pelo New York Times mediante entrevistas com dezenas de membros ou ex-membros do ELK, diplomatas da Otan e ex-oficiais dos serviços secretos albaneses.
O retrato que surge é de um líder impiedoso e brutal, que chegou ao poder entre os albano-kosovares com a ajuda dos serviços secretos albaneses.
Xhavit Haliti, o embaixador de Thaqi na Albânia, supostamente criou em Kosovo, junto com dez agentes secretos albaneses, uma rede de segurança interna usada para eliminar a dissensão na província.
Entre suas supostas vítimas está o jornalista Ali Uka, pró-ELK mas que não deixava de criticar Thaqi. Uka foi encontrado morto em seu apartamento em Tirana, com o rosto desfigurado por uma chave de fenda e um caco de garrafa.
Os rumores que dão conta que Thaqi participou pessoalmente na primavera (boreal) de 1998 de várias execuções de kosovares, acusados de traição ou colaboração com o inimigo, nunca foram provados.
Na mesma época Thaqi estava implicado no contrabando de armas da Suíça para Kosovo.
Em abril de 1998 umn comandante do ELK, Ilir Konushevchi, o acusou de especular com o tráfico de armas. Alguns dias depois o comandante foi assassinado numa emboscada no norte da Albânia.
O mesmo fim teve aparentemente Ahmet Krasniqi, um ex-coronel do exército iugoslavo encarregado por Rugova de criar um movimento de libertação de Kosovo paralelo ao de Thaqi.
Ex-membros do ELK disseram ao New York Times que o líder ordenou o assassinato de seu rival, que tombou numa emboscada num posto policial, em setembro último em Tirana. Enquanto agentes examinavam seus documentos, três pessoas mascaradas mataram o ex-coronel.
Segundo fontes, também são suspeitas as mortes dos comandantes do ELK Agim Ramadani e Dali Ceku, atribuídas a emboscadas dos sérvios durante supostos enfrentamentos em Kosovo. Ambos, segundo as fontes, haviam demonstrado capacidade de iniciativa e independência em relação a Thaqi.





