São Paulo, 02 (AE) - Mais uma vez, hoje, São Paulo amanheceu envolta em um denso nevoeiro. Os topos dos prédios estiveram encobertos por um cinza esbranquiçado. Em alguns pontos da cidade, apenas os faróis e lanternas dos carros conseguiam perfurar a névoa. Muita gente teve dúvidas ao sair de casa sobre a escolha das roupas: agasalhos ou peças mais curtas? A neblina provocou lotação nas salas de espera dos aeroportos, devido aos atrasos nos vôos.
O Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital, ficou fechado para pousos entre 6 horas e 9h15. Com isso, 46 aterrissagens sofreram atraso. Outras 30 decolagens foram atrasadas por causa da pouca visibilidade, das 6 horas às 8h09. Quatro vôos que deveriam aterrissar no Aeroporto Internacional de São paulo, em Cumbica, Guarulhos, foram desviados para o Rio de Janeiro, Campinas ou São José dos Campos. Os problemas começaram às 3h10, quando havia apenas 300 metros de visibilidade. Às 8h25, esse número já havia subido para 500 metros. Nessas situações, o tráfego aéreo só é possível porque existem equipamentos sofisticados que "conduzem" os aviões até a pista. Em média, houve atrasos de um hora nos pousos e decolagens. Negócios - Os problemas em São Paulo acabaram afetando vôos no Rio. Houve atraso nas decolagens da Ponte Aérea no Aeroporto Santos Dumont. De acordo com a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), 17 vôos atrasaram e pelo menos 1,7 mil passageiros lotaram o saguão do Santos Dumont. O primeiro vôo para São Paulo, previsto para às 6h14, partiu às 9 horas. "O jeito é aguardar e torcer para que os aeroportos normalizem a situação", disse o vocalista do grupo Paralamas do Sucesso, Herbert Viana. Ele contou que o atraso dos vôos não afetaria seus compromissos, que estavam marcados para às 12 horas, em São Paulo.
A mesma sorte não teve a empresária Márcia Botelho, de 36 anos, que perdeu uma reunião de negócios. "Não adianta lutar contra o tempo nem ficar nervosa com os compromissos", consolava-se. Ela estava com passagem marcada para às 7 horas, mas acabou viajando às 10 horas. A sala de embarque ficou lotada e muitos passageiros passaram grande parte do tempo nas filas dos telefones públicos ou empunhando celulares.
Os transtornos que a neblina tem provocado nos aeroportos fizeram a atriz Guilhermina Guinle passar a prestar mais atenção às condições do tempo antes de marcar uma viagem. Há três semanas, ela tinha de ir do Rio de Janeiro a São Paulo, mas teve dificuldades para embarcar. "O vôo estava marcado para as 11 horas, eu tinha um compromisso às 13 horas, mas o avião só saiu às 18 horas", relembra. "Eles diziam que o aeroporto estava aberto e nós formavamos a fila; aí, fechava de novo e nós sentávamos".
A "ansiedade" que a neblina provoca de manhã, segundo ela, se estende para a escolha das roupas. "Sempre saio de casa com um casaco", conta a atriz, que diz ter com frequência dúvidas sobre que clima vai enfrentar depois de dispersada a névoa. Poluição - Hoje, as medições realizadas pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) apontaram qualidade do ar regular em 12 estações de São Paulo. Outras 8 registraram qualidade boa e em 5 não foi possível realizar a medição por causa de problemas técnicos. Para amanhã (03), a previsão é de condições favoráveis à dispersão.

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