KYRIAT SHMONA, Israel, 25 (AE-AP) - A menos de duas semanas de deixar o poder, o chefe de governo israelense, Benjamin Netanyahu, mandou hoje (25) tanques para a fronteira com o Líbano e prometeu voltar a bombardear duramente o país vizinho se o Hezbollah lançar novos foguetes contra a Galiléia.
Já o grupo guerrilheiro libanês acusou Israel de violar um acordo de abril de 1996 e garantiu que responderá a qualquer ataque israelense que atinja civis. Em meio à troca de acusações, o primeiro-ministro eleito Ehud Barak preferiu o silêncio, mas seus assessores indicaram que ele não gostou da decisão de Netanyahu.
Um dia depois que a maior ofensiva aérea de Israel contra o Líbano desde a Operação Vinhas da Ira (que deixou 175 libaneses mortos em 1996), matou 8 pessoas (todas civis) e feriu 64, dez caminhões israelenses levaram tanques e veículos blindados de transporte para a fronteira como preparativo para uma eventual ação terrestre.
"O Hezbollah está enganado se pensa que pode tirar proveito da mudança de governo em Israel", advertiu Netanyahu após visitar, na cidade fronteiriça de Kyriat Shmona, as famílias dos 2 civis mortos e dos 12 feridos na véspera por foguetes Katyusha da guerrilha libanesa. "Israel responderá energicamente a novas tentativas de atacar civis."
Em Beirute, o secretário-geral do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, anunciou estar "decidido" a voltar a atacar para vingar civis. "Os sionistas têm de entender que, se querem pôr o norte da Palestina (Israel) a salvo dos ataques da resistência, têm de parar de atacar civis e instalações civis e respeitar o acordo de 1996", afirmou. "Caso contrário, usaremos Katyushas toda vez que acharmos necessário."
No acordo citado (que foi mediado por Washington e encerrou a Operação Vinhas da Ira), os dois lados comprometem-se a não atacar alvos civis.
Porta-vozes de Netanyahu e Barak revelaram que o primeiro-ministro só informou seu sucessor da ofensiva quando os aviões já estavam voando para lançar os bombardeios. Barak, ex-chefe do Estado-Maior e de Netanyahu numa unidade de elite, não comentou publicamente a ofensiva, mas, segundo a rádio estatal, manifestou a assessores seu descontentamento com a política de fatos consumados de Netanyahu. Barak pretende negociar um acordo para a desocupação do Líbano em um ano.
Os EUA culparam o Hezbollah pela escalada do conflito, pediram "o máximo de contenção" às duas partes e entraram em contato com a Síria (que mantém 35 mil soldados no Líbano e controla o país) para que ela contenha a guerrilha pró-iraniana. Já a França condenou os dois lados pela violação do acordo de 1996, anunciou estar "ao lado do Líbano em mais esta provação" e manifestou confiança numa saída pacífica.
Beirute anunciou que recorrerá ao Tribunal de Haia pedindo indenização israelense pelos ataques e criticou tanto o direitista Netanyahu quanto o trabalhista Barak. Já a Síria, ansiosa em retomar as negociações de paz com um Israel governado por Barak, fez questão de dissociá-lo da ofensiva. "Barak informou que não foi consultado", assinalou a rádio oficial síria. "Parece que Netanyahu, cujo governo tem manifestado nos últimos três anos uma inimizade racista e maldosa em relação à paz, está determinado a deixar a vida política com uma grande insensatez."
A sangrenta quinta-feira de retaliações começou, aparentemente, com um ataque da artilharia do Exército israelense - que ocupa desde 1978 o sul do Líbano - contra a vila de Kabrikha, que feriu uma mulher de 40 anos. O Hezbollah, que luta para expulsar as tropas de ocupação, respondeu com Katyushas contra a Galiléia, ferindo quatro civis e um militar.
O Estado judeu retaliou, então, com uma ampla ofensiva aérea - bombardeando, entre outros alvos, a estação elétrica de Jamhou, que abastece Beirute (o que deixou a capital libanesa sem luz), pontes na principal rodovia costeira ao sul da cidade e outra instalação de energia em Baalbek.
Em resposta, a guerrilha voltou a recorrer aos Katyushas, que atingiram a prefeitura de Kyriat Shmona - matando dois funcionários municipais e ferindo gravemente outro.

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