Netanyahu é acusado de politizar a inteligência militar
Jerusalém, 19 (AE-AP) - Um líder de oposição acusou hoje o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de usar a inteligência do exército para favorecer seus projetos de reeleição.
Netanyahu teria dito a seu gabinete que fontes da inteligência militar acreditam que o líder palestino Yasser Arafat estaria intervindo em nome do líder do Partido Trabalhista, Ehud Barak, nas eleições de 17 de maio.
Barak disse à rádio do Exército que Netanyahu estaria "colocando em perigo fontes de segurança" para revelar informações que são "políticas e sem valor".
Segundo a imprensa, Netanyahu teria dito ontem ao seu gabinete que o serviço de inteligência militar tinha informações "explosivas" que comprovavam sua alegação de que Arafat estava tentando persuadir Azmi Bishara, um candidato árabe-israelense a retirar sua candidatura. Os votos para Bishara provavelmente migrariam para Barak.
O chefe da inteligência, major general Amos Malka, respondeu, numa rara declaração, negando que a inteligência estivesse "explosiva" e acrescentando que "o envolvimento de Arafat na eleição não tem nada a ver com a inteligência, mas com política".
Numa declaração conjunta divulgada hoje, depois do episódio, Netanyahu e Malka concordaram que não era intenção do primeiro-ministro envolver o exército na política. "O primeiro- ministro nunca tentou divulgar informação secreta para o gabinete", afirmou a declaração.
Num entrevista à rádio do Exército, Netanyahu disse que o apoio de Arafat ao líder trabalhista é de conhecimento público. "Ele quer Barak porque quer voltar aos dias de um governo de esquerda... quando ele pegou tudo e não deu nada" nas negociações de terra em troca de paz, afirmou.





