Jerusalém, 28 (AE-AP) - Dez meses depois de ter sido deixado o cargo, a polícia recomendou hoje (27) que o ex-primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu seja indiciado por corrupção, o que pode afetar negativamente seus planos de retornar à política.
Netanyahu, que perdeu as eleições de maio de 1999, vem sendo investigado nos últimos sete meses sob suspeita de aceitar subornos, tentar usar incorretamente fundos públicos e manter ilegalmente 700 presentes de estado no valor de US$ 110.000.
Cerca de 100 investigadores trabalharam no caso, revistando inclusive a casa, o escritório e um depósito de Netanyahu em busca de provas. Entre os itens encontrados estavam candelabros, prataria, tapetes, quadros e um abridor de cartas de ouro que ganhou de presente do vice-presidente americano Al Gore.
Netanyahu disse que as acusações são infundadas e que a polícia está agindo de má fé. "Essa foi uma investigação tendenciosa cujo resultado era conhecido desde o princípio", afirmou. Ele prepara uma resposta detalhada das acusações e pode apresentá-la ainda hoje.
Os investigadores recomendaram o indiciamento de Netanyahu por fraude, uso pessoal de fundos públicos e obstrução da justiça. A esposa de Netanyahu, Sarah, também deve ser indiciada por roubo e má utilização de recursos públicos. Dois advogados de Netanyahu negam as acusações.
A decisão de levar o ex-primeiro-ministro a tribunal deve ser tomada pelos promotores. Em 1997, a polícia também havia recomendado o indiciamento de Netanyahu - quando ele ainda era primeiro-ministro - por ter indicado como procurador-geral um de seus conhecidos.
Segundo a tevê israelense, a indicação foi utilizada numa operação de barganha política para evitar que Arieh Deri, então um aliado, fosse indiciado por corrupção. Os promotores disseram, na época, que as evidências contra o então primeiro-ministro não eram suficientes para justificar uma ação criminal.
Netanyahu ainda não deu nenhuma declaração pública sobre seus planos políticos, mas vem sendo sondado por grupos políticos para assumir a campanha por uma barganha de interesses nas negociações de paz com a Síria.
Também hoje, as forças aérea e naval israelenses procuravam por um avião de combate F-16, pilotado pelo filho de Benny Begin, que foi candidato a primeiro-ministro israelense. O avião caiu no Mediterrâneo durante um treinamento noturno. O major Yonatan Begin e seu co-piloto estão desaparecidos desde segunda-feira, mas as buscas continuam.