Jerusalém, 25 (AE-AP) - Faltando apenas cerca de duas semanas para deixar o governo, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenou ataques aéreos punitivos contra o Líbano que duraram até as primeiras horas de hoje (25), advertindo Beirute para esperar por tempos duros caso a fronteira de Israel não fique calma.
Netanyahu só informou a seu sucessor, Ehud Barak, quando os aviões já estavam a caminho para bombardear pontes e estações elétricas no centro do Líbano, informou hoje o porta-voz de Netanyahu, Aviv Bushinsky.
A falta de consulta entre Netanyahu e Barak, um ex-chefe do Estado Maior, provocou preocupações.
Barak permaneceu silencioso, e não ficou claro se ele apoiou os ataques, os mais duros desde 1996. Entretanto, segundo o diário Yedioth Ahronot, assessores de Barak disseram que ele ficou irritado por não ter sido comunicado anteriormente.
Ao ordenar os ataques punitivos, Netanyahu agiu a pedido de comandantes militares que sentiram que Israel iria perder seu poder de dissuasão caso permitisse que o grupo guerrilheiro muçulmano xiita Hizbollah continuasse disparando mísseis contra o norte de Israel.
O Hizbollah lidera uma guerra de guerrilha para expulsar 1.500 soldados israelenses e 2.500 milicianos do aliado israelense Exército do Sul de Líbano da zona que Israel tem ocupado no sul libanês desde 1985. Israel alega que a região oferece uma zona de contenção aos ataques guerrilheiros contra o território nortista israelense.
Antes dos últimos ataques aéreos, que começaram na noite de quinta-feira, comandantes do exército já haviam pedido duas vezes por uma retaliação maciça - quando o Hizbollah disparou foguetes na noite da eleição israelense de 17 de maio e mais cedo esta semana, informou o diário Maariv.
Nos dois casos, Barak foi consultado antes de uma decisão ser tomada, segundo o jornal. Em ambos casos, Netanyahu foi a favor de uma resposta dura, enquanto Barak se opôs, escreveu o Maariv.
Netanyahu visitou hoje a cidade fronteiriça de Kiryat Shemonah e explicou às famílias dos dois homens mortos por mísseis durante a noite que ele não iria ficar sentado e permitir que o Hizbollah agisse com impunidade. "Não podemos aceitar uma situação na qual foguetes são lançados contra Israel e nós ficamos sentados quietos", afirmou Netanyahu.
O ministro das Finanças de Netanyahu, Meir Shetreet, disse que Israel deveria ter reagido muito antes. "O problema foi que durante o período eleitoral, as pessoas teriam dito que estaria vinculado com a eleição", afirmou Shetreet.
Barak, enquanto isto, renovou sua promessa de retirar tropas israelenses do Líbano dentro de um ano. O primeiro-ministro eleito disse esperar alcançar seu objetivo renovando conversações de paz com a Síria, a principal força no Líbano e um patrono do Hizbollah.
Yossi Beilin, um legislador pacifista no Partido Trabalhista, de Barak, afirmou que os ataques tornarão mais difícil para o próximo governo reviver as negociações.
"Queridos amigos, vocês têm de entender que a escalada agora significa mais mortos, mais feridos, mais ataques", disse Beilin, um provável ministro no governo Barak, ao governo de Netanyahu. "Parem. Parem. Isto não tem sentido, não tem lógica".

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