O nervosismo de quem vai ser avaliado é visível a cada exame prático para obter a carteira nacional de habilitação. Quando há muitos candidatos, então, o clima de tensão é intenso. É o que ocorre quando são realizados os mutirões do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), quando dezenas de possíveis futuros motoristas se reúnem para passar pelo crivo dos avaliadores.
Em Londrina, a movimentação foi grande no último fim de semana. Foram realizados mais de 750 exames práticos de direção para candidatos à primeira habilitação na categoria B – carros e veículos comerciais leves. Os testes ocorreram no sábado e domingo na sede da 12ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), na Vila Yara (zona leste).
Quinze examinadores foram destacados para trabalhar nos dois dias. Com o pátio cheio de candidatos e familiares na manhã de ontem, era grande a expectativa para chegar a hora de ser chamado para a prova prática. O auxiliar de serviços gerais Bruno dos Santos da Silva, de 20 anos, estava confiante. "Acho que vou passar e o próximo passo vai ser comprar um carro", afirmou, em companhia da namorada, de 15 anos, que aparentava nervosismo. Após ser reprovada na baliza, a diarista Marilene da Silva Guilherme, de 46 anos, disse que logo iria marcar o reteste. "Não sei o que aconteceu na hora da prova da baliza. O carro simplesmente não ia para trás. Acho que é nervosismo, esqueci até o nome da autoescola que frequentei, mas não vou desistir", garantiu.
Já a chefe de cozinha Jurassi Barbosa, de 51 anos, foi bem na baliza, mas não passou após algumas falhas no percurso. "A candidata anterior deixou o carro mal estacionado e na hora que fui tentar consertar o erro dela acabei me atrapalhando", alegou. "Mas na segunda-feira já vou marcar o reteste. O meu propósito é estar habilitada para realizar um trabalho voluntário missionário de entrega de comidas e roupas para moradores de rua", acrescentou.
A balconista Patrícia Estopa, de 32 anos, também não foi aprovada durante o percurso, após engatar uma marcha errada. "Fiquei nervosa e vou fazer algumas aulas adicionais antes de marcar o reteste", adiantou.
O instrutor de autoescola Vagner dos Santos confirmou que o nervosismo é o principal motivo da maioria das reprovações. "Os examinadores não induzem ao erro, mas é preciso que os alunos tenham calma e paciência durante a prova", orientou. "Por outro lado, acredito que a sinalização das ruas do percurso, como pinturas, faixas e placas, deveria ser melhor, pois isso pode confundir o aluno", reivindicou.
O chefe da 12ª Ciretran, Antenor Ribeiro, classificou o mutirão como "um sucesso" e disse que o evento "alivia" o acúmulo de demanda que os próprios centros de formação apresentam. Ele não soube precisar se será feito outro mutirão até o final do ano.
Sobre a reclamação sobre a qualidade da sinalização, o diretor de Trânsito do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), João Ulisses Lopes, informou que ainda não foi registrado nenhum pedido de melhoria no percurso onde são realizados os testes práticos. "Caso isso seja realmente necessário, é possível resolver essa demanda", assegurou.

BALANÇO

Segundo informações do site do Detran, em 2014 o Paraná ofertou mais de 8 mil vagas para exames em mutirões para sete municípios: Castro, Campo Mourão, Curitiba, Ponta Grossa, Londrina, Maringá e Sarandi. Das vagas abertas, foram preenchidas 89,70%. Em média, o Detran faz 97,8 mil exames práticos por mês em todo o Paraná. No ano passado, 1.172.670 testes foram aplicados.

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