Nerd sim, e daí?
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sábado, 24 de maio de 2014
Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
Londrina Hoje celebra-se o Dia Mundial do Orgulho Nerd. Se nos anos 1980, os nerds eram estigmatizados como jovens fracassados, o tempo tratou de mostrar exatamente o contrário. Hoje, a cultura nerd ganhou força e uma multidão de seguidores com séries populares como "The Big Bang Theory".
Em 2009, a banda Os Seminovos ganhou o prêmio de melhor webhit do ano no Video Music Brasil (VMB), da descolada MTV Brasil, com a música "Escolha Já Seu Nerd". A letra alertava: "O nerd de hoje, é o cara rico de amanhã". Assumir a 'nerdice' hoje, definitivamente, é muito mais fácil do que anos atrás. Alguns, mais moderninhos, resistem ao termo, preferem o 'geek', embora ressaltem que há diferenças. Para os leigos, detalhes quase imperceptíveis.
O grande espaço em "V" deixado entre os dedos médio e anelar na saudação volcana denuncia como se trouxesse grafado na testa: 'NERD'. Volcano, explica o professor de física e nerd assumido, Moisés Davi Sobral, de 31 anos, é o planeta fictício da série Star Trek, exibida no final dos anos 1960 no Brasil como Jornada nas Estrelas. A série que marcou os primórdios da cultura nerd foi a precursora da grande paixão do professor: a hexalogia Star Wars, ou Guerra nas Estrelas. Ele é um dos londrinenses que comemora, hoje, o Dia Mundial do Orgulho Nerd.

Instituída desde 2006, a data escolhida para a comemoração se refere à estreia do primeiro filme da série Star Wars, o Episódio IV: Uma Nova Esperança, em 25 de maio de 1977. Sobral conta que assistiu ao filme pela primeira vez aos sete anos. "Foi incrível, desde aquele dia virei um dos maiores fãs". Ele contou que na estreia do último filme da hexalogia, chegou ao cinema às 10 horas para a sessão que começou às 21 horas. "Fiz questão de ser o primeiro a chegar com meu sabre de luz".
A devoção pelos filmes de George Lucas é tamanha que ele foi um dos criadores do Conselho Jedi em Londrina. Os membros da confraria que durou cerca de dois anos, se reuniam em uma livraria para conversar sobre questões filosóficas dos filmes ou até mesmo sobre o penteado da Princesa Leia. Nas redes sociais, o professor adotou 'Sky' entre o nome e sobrenome, referência ao protagonista de Star Wars, Luke Skywalker.
Sobral calcula que já gastou mais de R$ 10 mil com objetos da cultura nerd, entre eles espadas, máscaras e os bonecos que ele prefere chamar de "figuras de ação". "Bonecos são coisas de crianças", relata. Na cozinha, os copos são todos temáticos. Super-heróis, personagens de filmes. A sala é tomada pelos bonecos, quase todos ainda na caixa. Na agenda, a namorada tem que dividir espaço com as aulas e com os jogos de cartas. "Ela entende e também gosta, apesar de não ser tão aficionada como eu".
Mesmo com todos os avanços, Sobral afirma que ainda precisa lidar com preconceito. Em uma de suas últimas postagens no facebook, ele compatilhou: "Vendo Big Band Theory e comendo pizza". Um amigo provocou: "Assista uma série de macho, rapaz!". "É uma coisa que me irrita, só não odeio mais que spoiler", brincou, se referindo da prática de pessoas que fazem revelações do enredo de obras como filmes e livros. "É o contar o final do filme. É o que um nerd mais odeia", explica.


