Principal medida de prevenção da febre amarela, vacina tem restrições a grupos específicos
Principal medida de prevenção da febre amarela, vacina tem restrições a grupos específicos | Foto: Nelson Almeida/AFP



O cenário da febre amarela no País provocou uma verdadeira corrida para a vacinação. O aumento no número de casos confirmados e mortes relacionadas fez com que a principal medida de prevenção da doença adquirisse um caráter emergencial.

No entanto, há recomendações específicas para alguns grupos de indivíduos. Ou seja, não é toda a população que pode se imunizar contra a febre amarela. Por exemplo, homens e mulheres com mais de 60 anos ou aqueles que têm histórico grave de alergias (especialmente a ovo ou gelatina), assim como reações prévias a vacinas e outros problemas de saúde, devem consultar um profissional da saúde antes.

Crianças a partir de 9 meses de idade devem receber a dose padrão (dose única) da vacina. O uso de doses fracionadas (medida adotada recentemente no País), é indicada somente para crianças a partir de 2 anos, desde que não apresentem condições clínicas especiais.

Segundo a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), esse cuidado é porque não há estudos do uso da dosagem fracionada para este público, incluindo gestantes e pessoas imunocomprometidas. Outro ponto destacado pela entidade é o recebimento de diferentes vacinas ao mesmo tempo ou em um curto período.

De acordo com os pediatras, a vacina para febre amarela não deve ser administrada simultaneamente com a tríplice viral (que protege contra o sarampo, rubéola e caxumba) ou tetra viral (sarampo, rubéola, caxumba e varicela) em crianças menores de 2 anos de idade.

Para aquelas que não receberam nenhuma das vacinas citadas acima, a orientação é que recebam a dose de febre amarela e agendem as outras para pelo menos 30 dias depois. "As demais vacinas do calendário podem ser administradas no mesmo dia que a vacina para febre amarela", explica Renato Kfouri, presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP.

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GESTANTES
Mulheres que moram em área com transmissão ativa da doença e que estiverem amamentando criança menor de 6 meses de idade, podem receber a dose fracionada, porém, o aleitamento materno deve ser suspenso por 10 dias após a vacinação.
Mas para mulheres nessas condições, que vivem em localidades sem transmissão ativa da febre amarela, a imunização não é recomendada. Quanto às gestantes, o MS (Ministério da Saúde) indica a aplicação da dose padrão (dose única) e para aquelas em idade fértil, a orientação da SBP é evitar a gravidez até 30 dias após a vacinação.

PACIENTES ONCOLÓGICOS
Pacientes em tratamento do câncer merecem atenção redobrada, pois em geral apresentam um quadro imunológico fragilizado. A SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica) destaca que os riscos e benefícios da vacina devem ser discutidos individualmente.

No entanto, o médico Rodrigo Munhoz, diretor da entidade, adianta que os pacientes que estão recebendo quimioterapia venosa ou oral, ou ainda terapia-alvo (exceto rituximabe e obinutuzumabe), não devem ser vacinados durante e por até três meses após o término do tratamento. Ainda de acordo com a SBOC, pacientes com histórico de transplante de medula óssea não devem receber a vacina por até 24 meses após o transplante. Além dos pacientes oncológicos, os indivíduos que vivem com HIV e que tem contagem de células CD4 menor que 350, também têm contraindicação e portanto, não devem se vacinar. Doadores de sangue também têm restrições específicas.

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