Londrina - Na teoria, todo mundo sabe cuidar do quintal para evitar a formação de focos do mosquito da dengue. Mas é só observar os índices de infestação predial (IIP) divulgados nesta quinta-feira pelo setor de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde para perceber que muita gente não está fazendo a sua parte.
Na manhã de ontem, a reportagem da FOLHA acompanhou uma equipe de trabalho no Jardim União da Vitória (zona sul), onde o índice de infestação foi de 7,44%. O aceitável, segundo a Organização Mundial da Saúde, é inferior a 1%. Um mutirão envolvendo equipes de outros bairros foi organizado para tentar terminar a vistoria no bairro até amanhã.
Cada agente é responsável por verificar os imóveis de um quarteirão. Somente após todas as casas serem visitadas, começa a vistoria em outro. Se não for possível fazer a verificação, os agentes voltam no fim de semana.
Logo nas primeiras residências é possível perceber que na prática a atitude da população é bem diferente da teoria. Garrafas, latas e pneus cheios de água são encontrados em vários quintais, mesmo com os moradores afirmando ter medo da dengue.
Na casa da manicure Daiane Cristina Frederico, os agentes verificaram que o quintal estava limpo e que o único risco era um guarda-sol entreaberto que poderia acumular água. Com a orientação da agente, a moradora imediatamente recolheu o objeto. O pote de água da cachorrinha também estava limpo e sem focos. A casa foi aprovada pela equipe e a agente fez as recomendações gerais, de manter tudo sem água e em caso de febre alta e dor procurar um posto de saúde.
"Claro que tenho medo da dengue. Mas todos teriam que manter seus quintais limpos, senão não adianta muito eu cuidar do meu", ressaltou Daiane, contando que nos últimos dias o número de mosquitos aumentou na casa dela.
Na casa do açougueiro Júlio César Andrade tudo parecia em ordem. Mas uma análise mais cuidadosa mostrou um vaso que, por não ser furado, reteve água da chuva. Foi o suficiente para que ovos do mosquito eclodissem e várias larvas minúsculas fossem encontradas. "Eu estou sempre olhando o quintal, por isso não imaginava que teria um foco aqui", disse Andrade, enquanto furava o fundo do vaso para permitir que a água sempre escoe.
Karen Carla dos Santos, coordenadora no União da Vitória, conta que muitos moradores não gostam de receber a visita dos agentes. "Tem casas onde vamos e a pessoa reclama que na semana anterior passaram vistoriando. Quando vamos ver a ficha, faz uns dois meses. Ou é uma desculpa ou alguém se passa por agente. Nesses casos orientamos que sempre estamos uniformizados e com identificação", explicou.
O quarteirão do União da Vitória onde a reportagem acompanhou algumas visitas tem aproximadamente 50 casas. No final da manhã de ontem cerca de 30 focos tinham sido encontrados - em uma única residência foram 20. Quase 30% das residências estavam fechadas e neste fim de semana novas tentativas serão feitas.
Os agentes também farão aplicação de inseticida com bomba costal em bairros onde foram confirmados casos importados da doença, como os conjuntos Armindo Guazzi, na zona leste, João Paz e Chefe Newton, ambos na zona norte.

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