Nem todas as pessoas são candidatas ao implante
Londrina- De acordo com o médico Orley Ferraz, que integrou a primeira equipe a realizar o feito, a tecnologia do implante coclear no Brasil é considerada recente, pois a primeira cirurgia foi realizada no início da década de 90. ''Nós fazemos o preparo na clínica e não é qualquer paciente que pode ser submetido a este tipo de cirurgia'', explica.
Ferraz destaca que os candidatos são submetidos a uma série de exames, entre eles os exames audiométricos, avaliação tomográfica e ressonância magnética para ver se a cóclea possui condições de receber o implante. ''Existem pacientes que possuem uma calcificação na área em que o dispositivo deveria ser implantado e isso os impossibilita de receber o imlante'', destaca. Sobre a necessidade de avaliação psicológica, Ferraz ressalta que muitas pessoas acham que o resultado do implante é imediato e que já podem sair escutando. ''Existem casos que chamamos de pré-lingual, em que a pessoa nasceu assim ou não aprendeu a falar e nesses casos é preciso realizar um trabalho longo que pode durar de dois a cinco anos, porque é preciso fazer com que o cérebro trabalhe essa área que permaneceu inativa por muito tempo'', explica.
Ferraz explica que a Agência Nacional de Saúde Suplementar publicou uma resolução em julho que determina que a partir de janeiro de 2012 todos os planos de saúde serão obrigados a incluir o implante coclear entre os procedimentos cobertos pelos planos de saúde. ''Mas a gente estranha é que a agência obrigou os planos de saúde a realizarem a cirurgia bilateral, mas não obriga o SUS a fazer o mesmo'', reclama.
Ferraz explica que em Londrina o SUS ainda não realiza cirurgias porque é preciso um serviço credenciado na cidade. ''Existem locais como em São Paulo e Minas Gerais que são credenciados pelo SUS e que fazem o serviço, mas existe muita fila, pois eles possuem uma capacidade máxima de quatro pacientes ao mês'', explica. (V.O.)





