Nem sapato, nem patins: um perigo!
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domingo, 22 de outubro de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Um tênis com rodinhas, chamado de skatênis, é a nova mania entre as crianças. Mas o acessório, que, quando em uso, não é nem sapato, nem patins, pode prejudicar os pés e o andar, além de facilitar quedas e traumas.
Segundo o ortopedista pediátrico Alessandro Melanda, de Londrina, as crianças que usam o skatênis, por volta dos seis aos dez anos de idade, estão acabando de amadurecer o andar e o uso do acessório pode atrapalhar esse processo.
O andar normal, explica o médico, envolve duas fases - a de balanço, quando o pé está erguido, e a de apoio, quando está em contato com o solo. No solo, o primeiro apoio é o calcanhar, seguido da planta do pé, e da ponta. Quando o criança usa o skatênis, que tem rodas no calcanhar, ela passa a usar como apoio somente a ponta dos pés. Isso pode estabelecer um padrão inadequado de andar.
''A criança fica com uma memória neurológica de andar na ponta do pé e depois vai precisar tratar algo que deveria ser natural'', afirma Melanda. Além disso, o andar errado sobrecarrega as articulações, já que não há amortecimento dos impactos, e isso pode causar dores nos pés.
Há a recomedação informal que o skatênis seja utilizado por no máximo duas horas por dia, mas mesmo isso não é garantia de que o sapato não irá acarretar problemas. ''Não há nenhum estudo científico mostrando que seja tranquilo usar por meia, uma ou duas horas'', afirma Melanda.
Outro problema, aponta o ortopedista, é que o sapato é um meio de locomoção instável, o que facilita as quedas e possíveis traumas - diferente de um skate ou de uma bicicleta, em que a criança pode saltar rapidamente para uma base estável. ''No caso do skatênis não tem como tirar, porque a criança está 'amarrada' a ele. É instável como um sapato de salto alto para uma criança de dois anos'', argumenta. Ele acredita que se a moda se tornar mais corriqueira, poderá haver aumento de traumas em crianças.
Outro fator é que como o produto não é um patins, os pais deixam de se preocupar com equipamentos de proteção, como joelheira, cotoveleira e capacete.
Segundo o médico, não o sapato para crianças deve ser maleáveis, com solado antiderrapante, sem saltos, mas com algum amortecimento, e é melhor que sejam folgados. Nos primeiros anos de vida, as crianças precisam andar descalças, para fortalecer os pés e ajudar na formação do arco do pé. ''Quanto mais ela andar descalça, melhor'', recomenda.


