São Paulo, 11 (AE) - Um mês após colher os frutos do benefício da redução de impostos que, comparados ao mês anterior resultaram em um aumento de 122% nas vendas no varejo em março (121,7 mil unidades), a indústria automobilística volta a ameaçar com novos aumentos. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, diz que o setor não tem como absorver os aumentos de insumos importados utilizados na produção de autopeças.
Ele afirma não abrir mão do reajuste nem mesmo se o governo condicionar a isso a renovação do acordo que baixou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em todo o País e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em alguns Estados. "Não podemos produzir e vender carros com prejuízos", afirma o executivo.
Contrário à sua posição estão os revendedores e os sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical, que participaram da elaboração do acordo de emergência para aumentar as vendas, assinado no início de março.
"Se tiver aumento, as empresas terão de voltar a dar férias coletivas aos funcionários por causa da queda nas vendas", diz o presidente da Associação Brasileira dos Concessionários de Automóveis Fiat (Abracaf), Rubens Carvalho. "Será um desastre", concorda o presidente da Associação Brasileira de Concessionários Chevrolet (Abrac), Darcy José dos Santos.
Repassar reajustes nesse momento, na opinião de Carvalho
seria optar por uma produção inferior a 1 milhão de unidades neste ano, o que representaria enxugar ainda mais as estruturas das revendas e a demissão de pessoal.
A indústria automobilística conseguiu arrancar do governo federal e de alguns Estados (entre os quais São Paulo) a redução de impostos depois de assistir as vendas despencarem no ano passado e de cortar mais de 20 mil postos de trabalho diretos.
Com a redução, os preços dos carros voltaram aos níveis do fim ano, quando começaram as negociações para a aprovação de um projeto de renovação da frota de veículos com mais de 15 anos
justamente com o objetivo de incentivar as vendas. É que entre dezembro e janeiro, os preços subiram quatro vezes.
Os motivos, segundo as empresas, foram inclusão de equipamentos de segurança, aumento do IPI para alguns modelos, repasse da defasagem cambial de peças importadas e aumento da Cofins. Somando, o índice médio de aumento ficou próximo ao porcentual de queda por conta da mudança nos impostos.
As revendas, no entanto, garantem que, além da redução do imposto, estão oferecendo descontos extras aos consumidores. "Não temos margem para absorver nenhum novo reajuste", diz Hugo Maia, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

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