Nem baixa popularidade de FHC atrapalhará reformas, afirma Fraga
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domingo, 26 de setembro de 1999
Por Gisele Regatão 
Washington, 27 (AE) - O default da dívida do Equador e a desvalorização da moeda colombiana parecem não tirar o ânimo de investidores e do governo brasileiro com relação ao andamento das reformas no País. Durante apresentação na 12ª Conferência Anual sobre Economia Brasileira, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse que nem a baixa popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso atrapalhará o cumprimento da agenda de reformas. "Eu tenho conversado com líderes políticos e tenho certeza de que eles têm consciência de que as reformas precisam ser feitas. Não tenho medo do risco de que elas não aconteçam", disse.
Fraga nomeou três pontos principais na agenda do governo brasileiro nos próximos meses. O primeiro é a reforma fiscal que
segundo ele, está no topo da lista das prioridades em outubro e deverá ser aprovada até o final deste ano. Inclui-se aí a aprovação da lei de Responsabildiade F iscal e a reforma da Previdência. O segundo ponto ressaltado por Fraga é a política monetária. Segundo ele, a meta inflacionária definida pelo governo brasileiro oferece transparência ao mercado com relação ao caminho e o futuro da economia brasileira. "Esse é um bom começo, mas não queremos celebrar", disse. O terceiro ponto nomeado por Fraga foi a balança comercial, que teve um desempenho desapontador, que pode ser explicado porque leva tempo para que o Brasil desenvolva novos mercados de exportação.
De acordo com Fraga, esse desapontamento deve ser compensado pela entrada de investimentos estrangeiros, principalmente de longo prazo. "Nós queremos que o capital de curto prazo esteja no Brasil, mas não queremos confiar nisso", disse. Para o próximo ano, Fraga ressaltou a necessidade de uma reforma no sistema bancário e relembrou um anúncio feito de que, em dez dias, o BC deverá anunciar normas para melhorar a qualidade de instrumentos de crédito no Brasil para reduzir os juros bancários ao consumidor. "Com essas mudanças, a economia brasileira poderá sair da performance pobre que vem obtendo nos últimos dez anos e conquistar um crescimento sólido", disse. "Eu espero que vocês compartilhem esse entusiasmo sobre o Brasil comigo", encerrou.


