Agência Estado
Mais de 2 mil representantes das organizações de defesa dos negros chegaram a Porto Seguro para unir-se hoje aos índios, lavradores e representantes de outros movimentos sociais numa manifestação contra 500 anos de injustiça, racismo e exclusão. Como fizeram seus antepassados, quando fugiam da escravidão, um grupo de negros construiu um quilombo nos arredores de Porto Seguro, uma espécie de precário acampamento onde vivem cerca de 300 pessoas há uma semana.
‘‘Os vencidos de ontem são os excluidos de hoje e a sociedade brasileira fecha os olhos para este problema. O racismo é uma realidade em nosso País. O Brasil tem que tomar posse de si mesmo, assumir que seu rosto também é negro, que nós existimos’’, disseram os responsáveis do Movimento Negro Unido (MNU).
Segundo as organizações de defesa dos negros, somente 40% dos brasileiros (64 milhões de pessoas) assumem que têm sangue negro. Estudos das Nações Unidas demonstram que as crianças brasileiras brancas sofrem de menos doenças e têm mais possibilidades de entrar em uma faculdade.
‘‘O modelo de exploração que realizaram no Brasil produziu uma divisão racial do trabalho e da riqueza, criando um verdadeiro apartheid’’, acrescentaram os responsáveis do MNU.
O movimento negro vai se unir hoje à manifestação de lavradores, índios, estudantes e outros movimentos sociais para denunciar ‘‘a discriminação violenta’’ que sofrem, mais de 100 anos depois da abolição da escravidão, em 1888.

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