Negros querem delegacia anti-racismo
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quarta-feira, 28 de setembro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Representantes de movimentos sociais negros estiveram ontem na Assembléia Legislativa para entregar a minuta de um projeto de lei que deverá criar o Programa SOS Racismo. A intenção é fazer com que seja criada uma delegacia atrelada ao Ministério Público (MP) estadual para investigar casos graves envolvendo racismo contra negros, judeus, índios e outros povos marginalizados pela sociedade paranaense. Seria como o Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco) que investiga os casos envolvendo o crime organizado e as demanadas da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) ou o Núcleo de Repressão aos Crimes Econômicos (Nurce) que investiga e consegue dados para a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.
''Este órgão seria responsável por receber todas as demandas e fazer a triagem. Os promotores e juízes ficariam mais sensibilizados porque tratariam apenas de casos envolvendo racismo e direitos humanos. Isto envolveria toda a sociedade que saberia onde ir quando sofresse maus tratos por conta da cor, por exemplo'', pontuou André Nunes, dirigente do Instituto de Pesquisa da Afro-Descendência (Ipad).
A minuta foi entregue ao presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), que se comprometeu a fazer uma audiência pública para debater o tema na terça-feira pela manhã. No mesmo dia à tarde, ele deverá apresentar o projeto de lei criando o SOS Racismo no Plenário da Assembléia. Ele acredita que em 15 dias, o projeto já tenha sido aprovado pelos parlamentares.
O diretor do Instituto Brasil & África, Saul Durval da Silva, disse que a idéia de criar o SOS Racismo é antigo. Entretanto, ganhou corpo após os novos casos de racismo ocorridos em Curitiba.
Além de adesivos e cartazes pela cidade com tons racistas e homofóbicas, um jovem de 19 anos acabou sendo gravemente ferido por um grupo de skinheads que atua na capital paranaense. O rapaz é negro e homossexual e acusa o grupo de tentativa de homicídio.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado no dia 18 de setembro no 1º Distrito Policial de Curitiba, o jovem saía de uma boate quando foi abordado pelo grupo. Eram cinco homens que estavam colando adesivos com os dizeres ''Homossexuais molestas crianças''. Eles teriam atacado o rapaz com uma rasteira e estocadas com tesoura na altura do abdômen.


