Dois homens realizaram ontem no centro de Foz do Iguaçu um manifesto em alusão ao Dia Nacional da Consciência Negra. Eles homenageram Zumbi dos Palmares, líder de influência nacional sobre a população negra e mestiça assassinado em 20 de novembro de 1695. Usando bermudas, Raimundo Ramos dos Santos, 42, e José Marco de Menezes, 64, permaneceram o dia acorrentados em uma árvore da Rua Barão do Rio Branco. O ato lembrou o período de escravidão.
Além da encenação, a dupla organizou uma exposição lembrando os 306 anos da morte de Zumbi. Também permaneceram em jejum do amanhecer ao anoitecer, como forma de mostrar a fome ocasionada pelo tratamento dos escravizadores. ''É uma maneira de alertar pedestres e motoristas sobre as desigualdades que persistem no mundo'', disse Santos, presidente do Movimento Negro Anti-Racismo de Foz do Iguaçu (Monarfi).
Batizado de Francisco pelo padre português Antônio de Melo, o líder negro recebeu o nome de Zumbi aos 15 anos, quando chegou na região de Palmares, em Pernambuco. Comandou a resistência negra contra as expedições ''brancas'' enviadas para destruir o foco de luta. Morreu após ser entregue por um amigo que foi torturado por uma tropa. Zumbi foi executado com vários tiros e exposto em Recife decapitado, sem o pênis (colocado na boca), sem uma mão e sem um olho. (Alexandre Palmar)

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