LOS POZOS, Colômbia, 11 (AE-AP) - Um defensor das minorias negras da Colômbia denunciou nesta terça-feira (11) ante negociadores do governo e da guerrilha que os negros são discriminados no país e sofrem com o maior peso da guerra.
Jorge Enrique Moreno, conselheiro municipal de paz de Cali, disse durante uma audiência dos negociadores que os 12 milhões de negros da Colômbia - 33% da população - não têm acesso a altos cargos públicos nem a importantes postos militares.
"Não há presidente, ministros, vice-ministros, superintendentes, embaixadores ou cônsules negros", disse Moreno, um negro de 58 anos. Ele também denunciou discriminação em empresas privadas.
"A discriminação nas forças armadas é mais patética. Não há nenhum general negro no exército colombiano, o qual é treinado em grande parte por generais norte-americanos negros", manifestou Moreno. Ele garante que a marinha e a aeronáutica estão proibindo o ingresso de cadetes de ascendência africana.
Em contrapartida, os negros são 33% dos soldados e grumetes. "A etnia negra aporta com a maioria dos mortos no conflito", afirmou.
Moreno pediu um regime especial para a população negra da Colômbia - a mais numerosa das Américas depois de Estados Unidos e Brasil - que garanta o desenvolvimento das empobrecidas zonas ocidentais, onde os negros são maioria.
Pediu também que os negros tenham chances iguais nos concursos para cargos públicos e a eliminação da exigências de inclusão de fotografias ou informações raciais nos currículos, além de representação própria nas câmaras legislativas.

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