Negócios com leasing caem até 40% após desvalorização
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez 
São Paulo, 09 (AE) - Os negócios de leasing (operações de arrendamento mercantil) caíram entre 30% e 40% em janeiro e fevereiro na compração com o igual período de 98, estima o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Leasing (Abel), Antonio Bornia. A previsão já considera os efeitos da maxidesvalorização do real.
Enquanto as operações somaram US$ 400 milhões e US$ 350 milhões em janeiro e fevereiro, respectivamente, em 98 os números foram de US$ 900 milhões e US$ 800 milhões.
Bornia acredita que será difícil o setor manter o mesmo volume de negócios de 98 por causa dos juros elavados, da recessão e do desemprego. O estoque da carteira aumentou 13%, de US$ 13,3 bilhões em 97 para US$ 15 bilhões em 98, e o volume de novos negócios cresceu 10,7%, de US$ 12,1 bilhões para US$ 13,4 bilhões.
"Haverá algum tipo de recuperação, porém, mais para o fim do ano", acredita. Hoje, os negócios são feitos em real, em razão da retração dos clientes por financiamentos em moeda americana e pela falta de recursos em dólar.
O mercado internacional continua fechado para o Brasil. A retomada dos empréstimos virá primeiro por meio das linhas comerciais. O presidente da Abel, também vice-presidente do Bradesco, destacou que o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi um passo importante para tornar viável a retomada das linhas externas, que deve ocorrer no fim de março ou início de abril.
Os contratos de leasing feitos em dólares antes da maxidesvalorização do real, de acordo com Bornia, estão sendo renegociados pelo dólar médio de R$ 1,21 a R$ 1,23, mesmo nível acertado entre o governo e os bancos ligados às montadoras de veículos, responsáveis por mais de 30% das operações de arrendamento mercantil.
O preço do dólar foi congelado até 30 de abril e a diferença de preço, transferida ao saldo devedor. Caso os clientes não tenham condições de pagar, as instituições estão ampliando o prazo.
Dependendo do vencimento do contrato, a liquidação pode ser postergada para o fim do ano, quando o cliente pode realizá-la utilizando recursos do décimo-terceiro salário, exemplificou o presidente da Abel.


