Uma montanha de dólares estimada em US$ 40 bilhões. É o que rende anualmente o comércio internacional de pessoas em todo o mundo, que vitima pelo menos 2,5 milhões de pessoas em todos os continentes. ''O tráfico de seres humanos, ao lado do tráfico de armas e drogas, constitui hoje o segmento de negócios ilícitos de maior rentabilidade no mundo'', revela o presidente da Associação dos Membros do Ministério Público, César Mattar Júnior. E o Brasil, critica o promotor, trata o problema com medidas paliativas, ''um xarope'', que em nada contribui para coibir e reprimir esta modalidade de crime.
Conforme o promotor, as vítimas mais comuns são crianças e adolescentes e mulheres, que são traficadas de um lugar a outro para fins de exploração sexual. Outro fato preocupante é que a idade das pessoas traficadas é cada vez menor. E no contexto de quase todos os casos, a pobreza aparece como personagem central. ''Há outras variáveis mas não tenho a menor dúvida que o aspecto financeiro acaba preponderando. Há pessoas que são aliciadas com falsas promessas de empregos no exterior, acabam com documentação retida e com dívidas absurdas que se avolumam, e são obrigadas a se prostituirem. Existem também os casos de sequestros de crianças e adolescentes em regiões mais pobres'', reforça Mattar Júnior.
Enquanto isso, o presidente da Conamp alerta que a legislação brasileira é muito fraca e adverte que o Brasil tem tomado medidas muito tímidas de combate a este tipo de crime. ''Precisamos de uma legislação penal mais agressiva, porque é um mercado que cresce de forma avassaladora''
Mattar Júnior lembra ainda que há apenas cinco anos o Brasil assinou o Protocolo de Palermo - conferência realizada pelas Nações Unidas em 1999 contra o Crime Organizado Transnacional que inclui o compromisso de prevenção, repressão e punição - e que só em 2009 instituiu o Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, ''que não trouxe praticamente nenhum avanço''. Ele lembra porém, que além de melhorar as leis e reprimir o crime, é preciso implementar políticas públicas de combate à pobreza e às desigualdades.
A FOLHA contatou o Ministério da Justiça e a Superintendência Regional da Polícia Federal no Paraná mas ninguém atendeu a solicitação de entrevistas. (L.A.)

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