Jerusalém, 23 (AE-AP) - Negociadores palestinos e israelenses alcançaram nesta segunda-feira (23) um consenso sobre dois capítulos do acordo de Wye River, pendente de aplicação, apesar de que nos outros dois dos principais pontos do pacto de terra por segurança persiste o estancamento.
O chefe da equipe negociadora palestina, Saeb Erakat, que se reuniu durante seis horas com seu interlocutor israelense, o advogado Gilad Sher, em Jerusalém Ocidental, assegurou que ambas as partes concordaram com a cosntrução de um "corredor de segurança" que permitirá aos palestinos movimentar-se entre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia.
Essa rota será efetivada a partir de 1º de outubro. Também nas conversações de hoje foi acertado que os palestinos poderão iniciar a partir dessa mesma data a construção de um porto em Gaza.
Contudo, as duas partes seguem divididas no que se refere ao calendário israelense para sua retirada da Cisjordânia, estipulada no acordo de Wye.
Outro tema ainda pendente é a libertação de prisioneiros palestinos. A discórdia é se a cláusula do acordo se refere somente aos presos palestinos que foram detidos por suas ações políticas ou atentados contra a segurança de Estado isrealense ou se inclui delinquentes comuns.
Israelenses e palestinos mostraram-se otimistas a respeito de um rápido acordo para reativar o processo de paz, que segundo Erakat poderá ser obtido até quinta-feira.
O chefe da delegação palestina disse esperar que o acordo que deve definir as modalidades da aplicação do pacto israelense-palestino de Wye Plantation seja obtido antes do encontro de quinta-feira entre o número 2 da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Mahmud Abbas (Abu Mazen), e a secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright. Segundo a rádio pública israelense, o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, também espera um acordo nos próximos dias.
"Avançamos no tema do porto e do corredor. Mas nas questões-chave de uma nova retirada e um calendário para ela, assim como a libertação de presos, não pudemos chegar a um acordo", disse Erekat. O corredor permitirá aos palestinos movimentar-se entre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia sem ter de enfrentar os incômodos para obter as autorizações. Ambos projetos faziam parte tanto dos acordos de autonomia, firmados há cinco anos, como o de Wye, assinado em outubro nos Estados Unidos.
O ex-primeiro-ministro israelenser Benjamin Netanyahu, sempre se mostrou reticente a conceder essa passagem por questões de segurança, por isso atrasou sua abertura.

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