São Paulo, 26 (AE) - Para fechar as negociações e em torno da renovação do acordo automotivo, representantes do governo, indústria e trabalhadores gastaram quase 12 horas entre ontem (25) e hoje. Houve uma série de reuniões no Palácio dos Bandeirantes - sede do governo paulista -, com muitas interrupções. Ao final da tarde de hoje, presidente Fernando Henrique Cardoso aceitou interferir nas últimas discussões e foi armado dentro do próprio palácio um sistema de teleconferência com uma ligação telefônica em viva-voz.
A Ford foi a principal causadora do impasse que se instalou nas reuniões desde ontem. A montadora norteamericana não concordava em dar um bônus para compensar aumento de impostos. O acordo foi fechado sem a participação efetiva da empresa.Mas o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, disse que espera a adesão da Ford até amanhã.
Tanto Pinheiro Neto como o presidente Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, concordam que a Ford não tem mais como não participar do acordo, depois de o entendimento ter sido concluído.
A resistência da Ford começou com a decisão do governo federal de recusar os incentivos fiscais. Na primeira fase do acordo emergencial, fechado em março, governo havia reduzido o IPI de 10% para 5% no carro popular e de 30% e 25% para 17% no carro médio. No mesmo acordo, as montadoras deram bônus de R$ 350,00 para os populares e R$ 250,00 para os médios.
Assim que o governo anunciou que na nova fase o benefício seria reduzido, a Ford se mostrou contra o aumento do bônus para o carro popular. A empresa disse que ainda depende de contato com seus altos executivos para aceitar a proposta.
Segundo o secretário de Política Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Hélio Mattar, o governo espera que a empresa de consultoria Trevisan entregue os resultados da avaliação das contas das montadoras. Mas afirmou que os dados preliminares indicam a falta de lucratividade em algumas empresas e pequena lucratividade em outras.
"O governo tem esperança que, ao longo da vigência do acordo, o nível de atividade econômica melhore. Até lá, criaremos o programa de renovação da frota", disse.

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