Negociações desagradam caminhoneiros
Agência Estado
De Brasília
O Ministério dos Transportes e o Movimento União Brasil Caminhoneiro (UBC) ainda divergem sobre os resultados alcançados sobre a pauta de reivindicação dos caminhoneiros, restando apenas um dia para cumprimento do prazo de 90 dias estabelecido no final da greve, em julho passado. Em um fax enviado na quinta-feira passada a cinco ministros e ao presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente da UBC, Nélio Botelho, advertiu que nenhum item reivindicado foi efetivamente atendido. Segundo Botelho, o clima entre os caminhoneiros está tenso.
Na quinta-feira haverá uma reunião do ministro dos Transportes em exercício, Paulo Fontenelle, com Nélio Botelho, para discutir o assunto e fazer o balanço das negociações. Em uma resposta enviada na sexta-feira ao ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, Fontenelle contestou a carta da UBC. Segundo o ministro interino, nenhuma das reivindicações deixou de merecer atenção, e cinco dos 11 itens da pauta podem ser considerados como definitivamente atendidos.
Não admito que se diga que não está havendo avanços nas negociações, disse ontem o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, por meio de sua assessoria. O ministro, que está de licença esta semana, disse que ainda estão sendo feitos todos os esforços, com seu engajamento pessoal, para alcançar os cinco itens restantes. De acordo com o ministério, o governo desconhece a possibilidade de haver uma nova greve a partir da próxima semana.
Na correspondência enviada na semana passada, Botelho advertiu que já há um foco de insatisfação dos caminhoneiros em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. O presidente da UBC ainda afirmou que o grau de preocupação dos líderes do movimento aumentou com o adiamento, em cima da hora, da quinta reunião do grupo de trabalho que analisa as reivindicações, marcada para o último dia 21.
Já foram atendidos, segundo Fontenelle, as reivindicações que tratam das alterações no Código Brasileiro de Trânsito, restando apenas a definição do Congresso Nacional. Na verdade, o projeto se encontra parado desde que foi enviado pelo governo no início de agosto. Também foram modificados os critérios de pesagem das balanças nas estradas e as prioridades de investimentos nas rodovias.
Outro ponto considerado atendido é a aposentadoria aos 25 anos de trabalho para o motorista profissional e o direito irrestrito de tráfego a caminhões em quaisquer rodovias. Apenas a exigência do fim da corrupção entre os fiscais não avançou, pois depende da citação e identificação dos fiscais e policiais corruptos.
Ainda precisariam ser resolvidas questões sobre os preços dos pedágios, cujos estudos para reduzir as tarifas por eixo ainda estão sendo realizados. Reduzir o valor para R$ 1,00 por eixo, porém, é considerada uma reivindicação inexequível. O aumento anunciado ontem para novembro também não é considerado um fator que possa prejudicar as negociações. A planilha de fretes também está sendo discutida entre as partes.





