Washington, 06 (AE-AP) - O processo de paz sírio-israelense entrou em momento difícil hoje (06) com a ameaça da Síria de não voltar à mesa de negociações se a delegação de Israel continuar recusando-se a discutir o tratado de fronteiras - que definirá a retirada das tropas do Estado judeu das colinas do Golan, ocupadas em 1967. Os sírios acusam os israelenses de bloquear a criação de um grupo de trabalho sobre essa questão, contrariando o que fora acertado inicialmente. De acordo com o delegado da Síria, as conversações devem ser conduzidas simultaneamente por delegados de ambas as partes e mediadores americanos em quatro grupos: normalização das relações, segurança, recursos hídricos e fronteiras. Até agora, só os dois primeiros se reuniram.
Fontes israelenses disseram que os sírios não avançaram em nada e apenas reiteraram suas posições já expressas em negopciações anteriores, em 1996.
Diante do impasse, a secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, pediu a intervenção do presidente Bill Clinton para ajudar as partes a "arregaçar as mangas" e fazer progressos substanciais. Clinton era esperado hoje no local das conversações, a cidade de Shepherdstown, a cem quilômetros de Washington, para uma reunião com o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, e o chanceler sírio, Faruq al-Shara - ambos chefiam a delegação de seus países.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou hoje que as negociações multilaterais sobre o Oriente Médio serão retomadas no dia 31, em Moscou. Cerca de 40 países e organizações integram essas conversações, incluindo Estados Unidos, Rússia, Israel, Jordânia, Egito, Arábia Saudita, Noruega
Japão e União Européia. A última reunião ocorreu em junho de 1996, em Amã, na Jordãnia, e traou da questão da água e do meio ambiente.
Hoje Israel completou a devolução para o controle civil dos palestinos de 5% de território da Cijordânia ocupado por suas tropas em 1967. A terceira e última etapa dessa transferência será cumprida no dia 20, quando a autoridade Palestina passará a administrar 40% da Cisjordânia.