Curitiba - As negociações com os rebelados da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP) 2, na região metropolitana de Curitiba (RMC), avançaram para a tarde de ontem. Segundo a Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju), por volta das 13h30 um acordo inicial garantiu a liberação de um dos dois agentes penitenciários mantidos como reféns, em troca da transferência de 29 detentos para cadeias da RMC e do interior. Até o fechamento desta edição, outros dez pedidos de transferência, para Estados vizinhos, eram analisados.
A secretária Maria Tereza Uille Gomes e o juiz Moacir Antonio Dalla Costa, da 2ª Vara de Execuções Penais de Curitiba, participaram das tratativas. Foram concedidos 14 benefícios a detentos, sendo dois alvarás de soltura e 12 progressões de regime. A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que acompanhou a ocorrência, disse que sete presos do chamado seguro, onde ficam ex-policiais e condenados por estupro, também foram rendidos. A Seju não negou a possibilidade, no entanto, não soube precisar um número. O local possui 1.108 vagas e abrigava 1.110 pessoas. Não houve registro de mortos ou feridos.
O motim, quarto verificado no Paraná nos últimos 30 dias, teve início às 15h30 de anteontem, na nona galeria do terceiro bloco da unidade, que continha 300 presos. Oficialmente, a Seju contou que apenas um grupo pequeno, de 18 amotinados, estava envolvido. O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), Antony Johnson, e a comissão da OAB, contudo, falaram que a quantidade de rebelados cresceu, ultrapassando 200. Familiares dos detentos afirmavam que de fora do prédio era possível ouvir gritos e observar colchões serem queimados.
O incidente começou no momento em que o governo do Estado e o Sindarspen se reuniam no Palácio das Araucárias, na capital paranaense, para tratar da pauta de reivindicações da categoria, que inclui mais segurança e melhores condições de trabalho. De acordo com o sindicato, na quarta-feira os profissionais devem votar, em assembleia, o indicativo de greve. Desde dezembro de 2013, já foram registradas 19 rebeliões no Estado, sendo quatro neste mês. As últimas aconteceram em Cruzeiro do Oeste, Guarapuava e Cascavel, com cinco presos assassinados (todos em Cascavel) e um total de 25 feridos. Anteontem, Johnson afirmou que unidades como a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) 2, a Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu (PEF) 2 e a Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão (PEFB) também estão em risco, e que novas situações podem acontecer.

GESTÃO DE CRISES

Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) informou que desde as primeiras horas da rebelião na PEP 2 foi constituído o Gabinete de Gestão de Crises, na sede da pasta, e que o órgão não admitiria "atos de barbárie no sistema penitenciário paranaense", gerido pela Seju. No documento, a Sesp reiterou, ainda, que buscava "a preservação de vidas e a dignidade de todos, tanto de detentos quanto dos agentes públicos, bem como o restabelecimento da ordem". Representantes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar (PM) e do Departamento de Execução Penal (Depen) também participaram das negociações de ontem.
Durante evento de campanha na sexta-feira, o governador Beto Richa (PSDB) atribuiu a realização de rebeliões no Estado a um "movimento orquestrado". Sem entrar em detalhes, ele afirmou que as cadeias onde ocorreram motins tinham sobras de vagas e que a Polícia Civil estava investigando a questão. O tucano também prometeu, se reeleito, acabar com todas as carceragens em delegacias de polícia, mediante a construção ou ampliação de 20 unidades prisionais.

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