Bonn, 07 (AE-AP) - Ministros do Exterior de oito nações que estão negociando a paz nos Bálcãs não conseguiram hoje (07) chegar a um acordo sobre uma resolução da ONU exigida pelo plano de paz para Kosovo, com Moscou contestando três dos principais pontos.
O ministro do Exterior alemão, Joschka Fischer, disse que seu colega russo, Igor Ivanov, queria consultar com Moscou sobre as questões, mas nem ele nem Ivanov deram mais detalhes.
"Eu poderia mas não quero", afirmou Fischer a repórteres depois que as conversações foram suspensas até amanhã. "Esperamos que iremos resolver todos os pontos em aberto ao grau que podemos, então ter um esforço construtivo no Conselho de Segurança (da ONU)".
Ele enfatizou que os ministros da Rússia e dos sete países mais desenvolvidos concordaram com 17 pontos de uma resolução de 20 pontos, e sublinhou a determinação deles de apresentar um esboço final quando retomarem as conversações nesta terça-feira em Colônia.
O secretário do Exterior britânico, Robin Cook, disse que não estava sobre a mesa nenhum dos compromissos do plano de paz aceito na quinta-feira pelo governo iugoslavo.
Apesar de garantias do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, de que irá implementar o plano de paz, autoridades ocidentais em Bonn indicaram que as conversações sobre o esboço da resolução da ONU estavam emperradas na insistência da Otan em ser o núcleo da força de paz.
Tais questões militares têm bloqueado os delicados esforços diplomáticos desde o início, e um relacionado desacordo sobre a retirada das forças sérvias de Kosovo fez descarrilar conversações militares de alto nível na Macedônia no domingo.
Um oficial da delegação russa, pedindo para não ser identificado, disse que a Rússia insiste na suspensão dos bombardeios antes de aprovar a resolução.
O porta-voz do Departamento de Estado americano, James Rubin, minimizou as objeções. "Os russos não têm feito segredo do fato de que eles prefeririam que os bombardeios tivessem sido suspensos ontem, anteontem, ou mesmo 73 dias atrás", afirmou ele.
Mas autoridades britânicas, exigindo anonimato, disseram que os pontos em disputa envolvem a definição da "presença de segurança" internacional em Kosovo concordada pelas oito nações nos princípios da paz no mês passado.
Em disputa estaria se uma força de paz ficaria sob o comando da Otan ou da ONU, e se o mandato seria de manutenção da paz ou de imposição da paz, sendo que no último caso implicaria o uso da força.
O enviado da União Européia para Kosovo, Martti Ahtisaari, enquanto isto, estava a caminho de Pequim em busca do apoio chinês para a resolução. A China, junto com a Rússia, afirma que os ataques aéreos da Otan têm de ser suspensos antes de o acordo poder ser levado ao Conselho de Segurança da ONU. Os dois países são membros permanentes do Conselho de Segurança e portanto têm poder de veto.
Antes de partir, Ahtisaari falou por telefone com Milosevic e passou garantias aos diplomatas reunidos em Bonn de que o líder iugoslavo iria endossar o plano de paz acertado na quinta-feira.
Apesar do colapso nas conversações militares na Macedônia, Ahtisaari disse à secretária de Estado Madeleine Albright e aos outros ministros do Exterior que "Milosevic afirma que pretende levar à frente o acordo", informou Rubin.
Segundo Rubin, Ahtisaari falou a Milosevic que os aliados da Otan não querem permitir qualquer buraco entre o tempo necessário para que as forças sérvias deixem Kosovo e o tempo da chegada das forças de paz internacionais. "Nenhum de nós quer ver um vazio de segurança em Kosovo", disse Ahtisaari a Milosevic.
Rubin culpou os iugoslavos pelo impasse nas conversas na Macedônia. Ele disse que os líderes militares iugoslavos não apresentaram aos chefes da Otan um plano adequado para a retirada dos sérvio de Kosovo - e que os bombardeios continuarão até que eles o façam.
Mas, segundo Rubin, "Nós continuaremos fazendo esforços diplomáticos com nossos colegas do G-8 para uma resolução pacífica deste conflito".

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