Negociação para renovação da frota chegou a impasse, diz Seligamn
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Fernando Thompson 
Rio, 13 (AE) - As negociações para implementação do programa de renovação da frota nacional de carros chegou a um impasse, segundo declarou hoje Milton Seligman, secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, durante seminário na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Seligman reafirmou que o acordo não anda porque a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) ainda não enviou os números solicitados pelo ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias.
Estes números referem-se à previsão do volume de venda de carros e veículos leves para este ano. A estimativa é decisiva para definir o total de subsídios que o governo federal terá de conceder para o acordo decolar. A diretoria da Anfavea informa que os números foram enviados há três semanas. Segundo um diretor, um relatório foi enviado ao ministro Alcides Tápias contendo todas as informações solicitadas. A Anfavea aguarda agora uma convocação de Tápias, para que os dados possam ser de novo analisados.
O secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento afirmou, porém, que o Ministério não recebeu nada do que fora pedido e que sem os números solicitados não há acordo. "Precisamos mostrar para a sociedade os benefícios do projeto e o volume de subsídios que vai ser concedido", explicou. Como a Anfavea não encaminha as informações solicitadas, ninguém no Ministério do Desenvolvimento quer assumir o risco de fechar um acordo deste tipo.
O plano de renovação da frota nacional é um pleito antigo da Anfavea e tem como objetivo básico incentivar a troca de carros com mais de 15 anos por modelos novos. As montadoras aceitariam os veículos usados como parte do pagamento e os governos federal e estaduais concederiam incentivos fiscais.
A proposta da Anfavea é de que seja concedido um bônus de R$ 1.800, que seria dividido da seguinte forma: as montadoras entrariam com R$ 600; os governos estaduais, com R$ 500, por meio da redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), e a União arcaria com os R$ 700 restantes, descontados do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
FMI - Seligman gostou da nova avaliação sobre a economia brasileira feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que consta do informe "Perspectivas da Economia Mundial", divulgado ontem na reunião de abertura conjunta do FMI com Banco Mundial (Bird), em Washington. O relatório elogia o desempenho econômico brasileiro no ano passado e prevê que o Brasil deve crescer 4% este ano e 4,5% em 2001.
"Eu vejo esses dados como absolutamente normais", afirmou o secretário. Ele disse que o grande desafio é fazer com que esse crescimento seja sustentável, baseado no aumento de produtividade e da competitividade das empresas brasileiras. O secretário executivo disse que só assim a economia brasileira vai crescer sem depender de capitais especulativos e permitindo um melhor desempenho da balança comercial.


