Rio, 21 (AE)- A negociação da eliminação de barreiras européias a produtos agrícolas e agroindustriais brasileiros tem mais chance de ser iniciada efetivamente após a Rodada do Milênio da Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo análise do boletim "Comércio Exterior em Perspectiva", divulgado hoje pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI). "Em face da Política Agrícola Comum (PAC) da União Européia, o exercício da liberalização comercial não será tarefa trivial", informa o documento, que lembra que a França defende o seu começo somente para o ano de 2003.
O boletim traz um apanhado de barreiras externas que afetam as exportações brasileiras na Europa. Para o café solúvel
a tarifa incidente é de 13,7%, em média. A Colômbia, principal concorrente brasileiro, tem tratamento preferencial como incentivo à luta contra as drogas, de acordo com o boletim da CNI. Em relação às carnes processadas, na chamada "Quota Hilton", que determina a quantidade de cortes nobres que podem ser vendidos, a quota de cada fornecedor é fixada segundo o desempenho histórico. A parcela brasileira é de somente 5 mil toneladas anuais, contra 34 mil toneladas concedidas aos países vizinhos.
O Brasil pleiteia 10 mil toneladas por ano. As carnes bovinas com osso têm sua importação proibida, assim como os bovinos vivos e o sêmen destes animais, pela alegação de contaminação de febre aftosa. As importações de carne desossada são autorizadas quando provenientes de alguns estados considerados livres da doença. As carnes suínas "in natura" e produtos suínos não-cozidos ou não-curados por mais de seis meses também têm sua venda proibida por alegação de contaminação pela peste suína clássica. Quanto à carne de frango, a quota com isenção tarifária continua em 7,5 mil tneladas, apesar de o Brasil ter pleiteado a quantidade de 15,5 mil toneladas. O óleo de soja tem taxa média de 7,5% de taxação.
As exportações para a Europa de frutas tropicais são prejudicadas por esquemas de distribuição interna, e as altas taxas para estes produtos são aumentadas ainda por uma tarifa específica. Mamão papaia e mangas têm encontrado problemas com barreiras fitossanitárias. O suco de laranja é alvo de taxa de 36,4%, mais 22,3 euros por quilo, enquanto que os produtores do Mediterrâneo conseguem tarifa preferencial.

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