Brasília, 12 (AE) - A empresa inglesa National Grid e a operadora francesa France Telecom abriram mão do direito de adquirir as ações da Sprint na Intelig, mas não vão perder o poder de veto sobre o novo sócio. Segundo o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, já estão em andamento as negociações para compra da participação de 25% das ações da Sprint na empresa-espelho da Embratel. "A fila de pretendentes é grande e a noiva muito bonita", disse o ministro.
A Intelig só irá anunciar a data de início das operações depois de tornar pública, na próxima semana, o cronograma de saída da Sprint do controle da empresa. "Esta é uma pré-condição para que ela comece a operar", disse Pimenta da Veiga, que se reuniu na tarde de hoje com o presidente da Intelig, Fernando Terni, e o presidente da National Grid, Wob Gorretsen.
Segundo o ministro, só quando a empresa americana sair da direção da empresa e perder todas suas funções administrativas haverá condições para que haja competição no mercado de ligações de longa distância. A data final para o início das operações da Intelig é 24 de janeiro. Especula-se no mercado que a empresa deverá começar a operar no dia 23, mesmo número de código usado pela operadora.
"Seria incômodo para a Intelig ter uma espiã entre seus sócios", disse o ministro hoje cedo na Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior, da Câmara dos Deputados. Em outubro, a Sprint anunciou uma fusão mundial com a também americana MCI, que é dona da Embratel. "A Intelig não pode ter dentro de seu quadro de sócios um braço da empresa concorrente." Pimenta da Veiga também afirmou que a France Telecom deverá sair da sua sociedade com a Sprint na Global One, uma empresa de telecomunicações de nível mundial, que tem a participação também da operadora alemã Deustche Telekom. A decisão, segundo o ministro, deu-se depois do anúncio da fusão da Sprint com a MCI.
O novo sócio da Intelig, afirmou o ministro, deverá trazer algum tipo de vantagem técnica ou financeira para a sociedade. "Na minha opinião, deverá ser uma operadora", afirmou Pimenta da Veiga. "Todos sabem que a Sprint é quem dava suporte técnico para a Intelig", disse o ministro. Ele garantiu não ter nenhum conhecimento sobre as negociações em curso.
Até o governo poderá opinar sobre o novo sócio da Intelig, caso ele não esteja de acordo com as regras do setor de telecomunicações. "O governo tem direito de veto de acordo com a legislação", disse o ministro. As regras da licitação não permitem que participe de uma empresa espelho, qualquer sócia de uma concessionária de telecomunicações.
Na terça-feira, o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Navarro Guerreiro, já havia adiantado que anunciaria no início da próxima semana uma solução para a presença da Sprint na sociedade. Este desfecho seria dado de acordo com as propostas formuladas pela Intelig em uma correspondência enviada na segunda-feira à noite à Anatel.