São Paulo, 25 (AE) - O avanço das negociações entre o grupo argentino Macri e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a aquisição do frigorífico Chapecó levou um outro grupo estrangeiro, que tinha interesse em comprar a empresa brasileira, a interromper, no fim de abril, a realização de um estudo de viabilidade econômico-financeiro sobre a companhia. Fábio Astrauskas, gestor profissional da Chapecó, informou hoje que o grupo havia encomendado um estudo para avaliar as condições econômico-financeiras do frigorífico. No entanto, o estudo não chegou a ser concluído, uma vez que as negociações, que se arrastam desde o fim de 97, foram retomadas.
De acordo com Astrauskas, o grupo estrangeiro, cujo nome é mantido em sigilo, estaria em "condições desiguais de negociação" porque o Macri, que desde 96 mostra interesse em adquirir a Chapecó, estaria melhor informado sobre as condições da companhia e vem mantendo contatos com o BNDES, que está intermediando a operação e é o maior credor do frigorífico. Segundo Astraukas, a Chapecó está aguardando que o BNDES libere o financiamento de R$ 50 milhões para o grupo Macri, que será utilizado como capital de giro na empresa.
Pelo acordo que está sendo negociado entre a Chapecó, o grupo Macri e o BNDES, as dívidas do frigorífico serão renegociadas com deságio para que a transferência de controle seja viabilizada. Na avaliação do gestor da Chapecó, Fábio Astrauskas, o grupo Macri teria decidido acelerar as negociações para a aquisição do frigorífico agora porque com o passar do tempo as condições de participação da Chapecó no mercado estão piorando. A empresa, em concordata desde outubro passado, não tem feito investimentos em novos equipamentos e não tem como competir com outras empresas do setor em "várias frentes". "Se o grupo não tomar uma atitude agora, pode estar jogando fora uma chance", afirmou.
Além disso, disse Astrauskas, está se aproximando o vencimento da primeira parcela da concordata, em outubro, o que poderia atrapalhar as negociações com os credores. O valor total da concordata é R$ 40 milhões, segundo o gestor, e a primeira parcela corresponde a 40% do total mais correção definida pela Justiça. Ele disse ainda que apesar de a Chapecó ter se reequilibrado do ponto de vista operacional, continua com prejuízo contábil, o que "concorre negativamente" para a negociação.

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