São Paulo - O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou ontem pedido de habeas-corpus em favor dos fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo - Estevam Hernandes Filho e sua mulher, Sônia Haddad Moraes Hernandes.
O advogado de defesa do casal Hernandes, Luiz Flávio Borges D'Urso - reeleito presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) -, pedia a suspensão da ordem de prisão decretada pelo juiz da 1 Vara de Justiça Criminal, Paulo Antônio Rossi.
O desembargador Ubiratan de Arruda, da 9 Câmara Criminal do TJ, afirmou que não houve constrangimento ilegal na ordem de prisão e negou o pedido da defesa. No entanto, o mérito do pedido ainda será julgado por Arruda e mais dois desembargadores.
Outros três sócios dos Hernandes também tiveram a prisão preventiva decretada.
O pedido de prisão foi feito porque o casal não compareceu à audiência do processo em que os dois são denunciados por lavagem de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica. O juiz já havia determinado anteriormente a quebra do sigilo bancário e bloqueio de bens do casal Hernandes.
D'Urso disse que o pedido de prisão é ''descabido''. ''Não era o caso de pedir a prisão.'' Os fundadores da Renascer estão foragidos.
A assessoria da Renascer informou que Estevam não compareceu à audiência porque estava com um problema nos olhos. Também informou que o atestado médico já foi enviado para o Ministério Público, que deve juntar o documento ao processo.
O caso - Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo do dia 25 de outubro informava que um ex-funcionário da Renascer, que se identificou como ''J'', disse que o dinheiro arrecadado entre os fiéis era usado para pagar funcionários de empresas dos Hernandes. Assim, sobravam mais recursos para que as empresas do grupo comprassem bens.
Numa outra denúncia, o Ministério Público de São Paulo acusou os Hernandes e o bispo primaz Jorge Luiz Bruno de falsidade ideológica. Eles teriam montado uma igreja ''laranja'', chamada Internacional Renovação Evangélica, para livrar a Renascer de processos.
Segundo a denúncia, a igreja Internacional Renovação Evangélica, criada em 2004 por Jorge Luiz Bruno, não existe fisicamente. No endereço indicado na ata de fundação - Rua Maria Carlota, 879, na Zona Leste de São Paulo - funciona um templo da Renascer.
Os promotores do Grupo de Atuação de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) Arthur Lemos, Eder Segura, Roberto Porto e José Reinaldo Carneiro - que fizeram o pedido de prisão preventiva - não quiseram se manifestar, pois o processo está sob segredo de Justiça.

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