Lisboa, 19 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou ao jornal português "Público" que nos próximos meses o controle da inflação vai passar a ser feito com base numa âncora monetária. Na entrevista, publicada hoje, Malan disse que esta âncora vai funcionar através de um sistema de metas para os indicadores das condições monetárias do país. Malan explicou ainda que o sistema é semelhante ao adotado por Inglaterra, Suécia, Austrália, Nova Zelândia e Canadá, além da Espanha, até o ano passado. Disse que, como o Brasil deixou de ter como âncora o câmbio, a sustentação da estabilidade econômica e o combate à inflação vão passar a ser feitos através de medidas orçamentais e monetárias.
Segundo o ministro, ainda este ano as taxas de juros reais (descontada a inflação) deverão ficar abaixo dos 10%. Ele disse que existe espaço para reduzir as taxas de juros e que a taxa de 28,8% não é uma meta para os juros, mas uma hipótese de trabalho. O que terá papel determinante para a queda das taxas são a mudança do regime fiscal e o cumprimento do programa de estabilização orçamental.
Na entrevista, Malan afirmou que no ano 2000 a taxa de crescimento da economia deverá atingir 4% e que no ano seguinte deverá superar esse índice. O ministro foi otimista em relação a este ano, dizendo que as previsões de crescimento negativo de 3% a 4% estão sendo revistas para o conjunto do ano, para valores menos negativos. No primeiro semestre, as taxas serão fortemente negativas, mas no segundo semestre já haverá uma recuperação. O ministro afirmou que o FMI não está exigindo a privatização da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil: "Não existe exigência nenhuma, não teria cabimento. Estamos discutindo o futuro de instituições como o Banco de Brasil e Caixa Econômica Federal, mas não é com o objetivo predefinido de privatização". Segundo Malan, não há nenhuma decisão tomada sobre as duas instituições.
Sobre a Petrobrás, Malan explicou que a discussão sobre a privatização é prematura. "Tiramos o monopólio da Petrobrás, abrimos o mercado brasileiro para a exploração de petróleo por parte de empresas estrangeiras. Não existe qualquer exigência ou pressão internacional para que isso ocorra agora."

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