Varsóvia - Os laboratórios nazistas do professor alemão Rudolf Spanner, instalados em Gdansk (norte da Polônia), fabricaram, ‘‘em escala experimental’’, sabão com os corpos de prisioneiros poloneses e soviéticos, anunciou ontem o Instituto Polonês da Memória (IPN).
Uma nova e exaustiva investigação foi realizada sobre essa experiência, com o objetivo de estabelecer de maneira definitiva se o Instituto Anatômico da Academia de Medicina em Gdansk, dirigido por Rudolf Spanner durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou realmente com corpos de prisioneiros russos e poloneses.
Uma primeira investigação foi realizada em 1945, mas não se emitiu nenhuma ata de acusação, apesar de a comissão investigadora ter concluído que os cientistas alemães utilizaram gordura humana para fabricar sabão. A comissão também comprovou que os nazistas trabalharam com a pele humana.
A documentação reunida pelos investigadores ‘‘não permite duvidar dos fatos que foram estabelecidos’’, disse o promotor Witold Kulesza, do IPN. O IPN é um organismo público criado recentemente para perseguir os autores de crimes cometidos contra a nação polonesa.
Segundo os depoimentos reunidos em 1945, quase 40 quilos de sabão produzidos com gordura humana foram fabricados nos laboratórios de Gdansk.
‘‘A nova investigação ainda não acabou’’, disse Kulesza. ‘‘Nós queremos saber do que Spanner foi acusado e por que foi inocentado em dois processos na Alemanha, em 1947 e 1948’’, acrescentou. Depois da guerra, Spanner foi diretor do curso de Anatomia da Universidade de Colônia.

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