Naya está preso em Brasília; Ele se entregou após negociar com juiz
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quarta-feira, 15 de dezembro de 1999
Por Chico Araújo, especial para a AE 
Brasília, 15 (AE) - O deputado cassado Sérgio Naya está preso desde a madrugada de hoje no Batalhão de Operações Especiais (Bope), da Polícia Militar do Distrito Federal. Ele ocupa uma cela especial do Bope - a que foi usada até domingo pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal (AC), cassado por falta de decoro parlamentar - envolvimento com narcotráfico e grupos de extermínio no Acre.
Naya é acusado de homicídio doloso. Ele é dono da construtora Sersan, que fez o Palace II. O prédio desabou parcialmente e matou oito moradores no carnaval de 98, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O deputado cassado entregou-se ontem (14), por volta das 23h30, ao juiz da Vara de Execuções Criminais do DF, Everardo Alves Ribeiro. A juíza da 33.ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, Érica de Paula Rodrigues Cunha, decretou a prisão preventiva na segunda-feira. Desde então a Polícia Civil do Distrito Federal estava mobilizada para prender Naya.
Na terça-feira o desembargador da 5.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, Alberto Craveiro de Almeida, negou liminar ao pedido de habeas-corpus impetrado pelo advogado Nilo Batista. A defesa de Naya deve ingressar no Superior Tribunal de Justiça (STJ) com um habeas-corpus substitutivo, pedindo a anulação da ordem de prisão.
Entrega - A entrega de Naya à Justiça foi acertada por um de seus advogados, Alberto Moreira de Vasconcelos, com o juiz Everardo Ribeiro, em um telefonema. Nesse contato, segundo o juiz, Vasconcelos disse-lhe que Naya estava disposto a entregar-se. O juiz fez um contato com o comandante da Polícia Militar do DF, coronel Antônio Ribeiro, para acertar a entrada do ex-deputado em uma cela especial do Bope. Segundo o juiz, não houve qualquer negociação para Naya entregar-se. "O que fizemos foi acatar um pedido dos advogados dele."
Por volta de 0h20 de hoje o juiz Everardo Ribeiro encontrou-se com Naya e seus advogados, nas imediações do Bope, e determinou que ele fosse recolhido à cela. Naya chegou na cela às 2h10. Antes passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML). Ele ficará preso aguardando uma decisão da juíza Érica de Paula Rodrigues sobre sua transferência ou não para o Rio.
Hoje à tarde o diretor da Sersan, João de Castro, e duas secretárias do senador Roberto Requião (PMDB-PR), visitaram Sérgio Naya na cela do Bope.
Morte - Ao entregar-se à Justiça, segundo o juiz Everardo Ribeiro, o dono da construtora Sersan confessou estar com medo de morrer, caso seja levado de Brasília para Rio, por ordem judicial. Caso seja transferido para o Rio, Naya deve ficar preso na carceragem da Polícia Interestadual (Polinter), conhecida como Benfica, onde há cela especial.
Segundo o juiz, Naya teria dito que se sentia "injustiçado" pelo fato de a juíza Érica ter alegado que ele estava em lugar incerto e não sabido. O advogado Daniel Azevedo, defensor dele em Brasília, considera "falho" o argumento e garante não ter base legal para a decretação da prisão preventiva. Segundo ele, Naya não descumpriu o artigo 316 do Código Penal, que trata desse tipo de prisão.


