Rio de Janeiro - O deputado cassado Sérgio Naya foi condenado ontem a dois anos e oito meses, em regime aberto, pelo desabamento do edifício Palace 2, em fevereiro de 1998. A pena foi revertida em prestação de serviços comunitários e pagamento de 360 salários mínimos (R$ 72 mil) a entidades sociais, que serão determinadas pela Vara de Execuções Penais. Naya era dono da Sersan, responsável pela construção do prédio, que ruiu parcialmente, matando oito pessoas, e foi implodido.
Os desembargadores da 5Câmara Criminal decidiram pela condenação por dois votos a um. Naya, que não estava presente, foi absolvido em primeira instância. O advogado dele, Luiz Vicente Cernicchiaro, disse que vai recorrer da decisão. ''Houve uma afronta às normas jurídicas. Pena pressupõe crime e Sérgio Naya não cometeu crime nenhum.''
Os desembargadores também condenaram o engenheiro calculista da obra, Sérgio Murilo Domingues, à mesma pena do ex-deputado, mas a multa foi fixada em 200 salários mínimos (R$ 40 mil). Até agora, apenas o engenheiro José Roberto Chendes havia sido condenado a dois anos e oito meses de prestação de serviços à comunidade. Na época, os laudos da perícia concluíram que houve falha tanto no cálculo quanto na execução do projeto do prédio.
A decisão foi bastante comemorada por alguns dos ex-moradores do Palace 2, que assisitiam ao julgamento, como Rauliete Barbosa Guedes, presidente da Associação dos ex-Moradores do Palace 2. ''Essa vitória foi bem forte porque o tempo já estava passando e hoje nós vemos aqui a Justiça ser feita.'' Para Bárbara de Alencar Leão Martins, que perdeu a filha, Luiza, no desabamento, a decisão foi uma surpresa. ''Eu não estava esperando não. Serviço à comunidade é muito bacana. Ele não ficou impune. Ele é responsável sim pela morte da minha filha porque deixou acontecer.'' Com a queda do edifício, o ex-marido de Bárbara, a segunda mulher dele e o filho de quatro anos do casal também morrerram.
O assistente da acusação e advogado de defesa dos ex-moradores do Palace, Nélio Andrade, comemorou a sentença. ''Nós podemos chegar até o Supremo Tribunal Federal discutindo essa matéria, mas o que me deixa satisfeito é que a Justiça foi reestabelecida.''

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