O deputado federal cassado Sérgio Naya foi absolvido ontem, em primeira instância, no processo criminal que apura as responsabilidades pela morte de oito pessoas no desabamento do edifício Palace 2, em 22 de fevereiro de 1998, no Rio. Ele é dono da construtora do prédio. Apenas o engenheiro responsável pelos cálculos, José Roberto Chendes, foi considerado culpado pelo crime. Ele foi condenado a 2 anos e 8 meses, transformados em pena de prestação de serviços à comunidades. Os advogados das vítimas e o Ministério Público vão recorrer.
O engenheiro Sérgio Murilo Domingues, responsável pela execução da obras, também foi absolvido. Tanto ele quanto Naya eram acusados do crime de desabamento doloso - em que há intenção. O advogado de acusação, Nélio de Andrade, disse que vai recorrer ao Tribunal de Justiça na próxima semana.
Para o juiz Heraldo Saturno de Oliveira, da 33ª Vara Criminal do Rio, Naya é inocente porque, como proprietário da Sersan - empresa construtora do Palace - , não pode ser responsabilizado pelos erros de cálculos estruturais e de construção. ‘‘Naya não se envolvia em problemas técnicos, suas visitas eram espaçadas e curtas, sua atenção se limitava a providências de ordem geral e à obtenção de informações sobre o andamento dos trabalhos’’, diz a sentença.
As acusações de que a Sersan teria utilizado água e areia de praia na obra também são refutadas pelo juiz com base em análises técnicas. Baseado em peritos, ele disse que a existência de materiais estranhos, como conchas, madeira, plástico e papel na massa foi considerada comum em obras.
O advogado de acusação, Nélio de Andrade, afirmou que o juiz não levou em consideração o depoimento do pedreiro Milton Pereira Ramos, que revelou ter avisado o ex-deputado que o pilar apresentara rachaduras no início da obra. Naya teria ordenado que ele encobrisse as falhas.
A presidente da Associação das Vítimas do Edifício Palace 2, Rauliete Barbosa Guedes, disse que vai recorrer da decisão.

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