Rio, 06 (AE) - O empresário e deputado cassado Sérgio Naya será interrogado amanhã (07), no Rio. Ele será ouvido pelo juiz da 33.ª Vara Criminal, Heraldo Saturnino de Oliveira, no processo que apura a responsabilidade criminal no desabamento do edifício Palace 2, em fevereiro de 1998, que deixou oito mortos e centenas de desabrigados. Os ex-moradores do prédio temem que, depois de interrogado, Naya tenha a prisão preventiva relaxada. Ele está detido desde o dia 15 na carceragem especial de Ponto Zero, em Benfica, na zona norte do Rio.
O depoimento de Naya está marcado para as 13 horas. Até então, o ex-deputado só havia prestado esclarecimentos à Polícia Federal. Ele é acusado por desabamento doloso, seguido de morte. Naya, engenheiro responsável pela construção do Palace 2, segundo registros do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), deve voltar a acusar o calculista José Roberto Chendes, também acusado no processo. Segundo laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, houve erro no cálculo dos pilares, que foram mal dimensionados e não suportaram o peso do prédio.
O advogado do ex-deputado, Nilo Batista, não respondeu aos telefonemas da reportagem. Ele deve pedir a revogação da prisão preventiva decretada pela juíza substituta da 33.ª Vara Criminal Érica de Paula Rodrigues, em 14 de dezembro. "Se o juiz titular entender que os motivos para a prisão preventiva - como o fato de ele não ter moradia fixa - não se sustentam, ele pode liberá-lo", explicou o advogado das vítimas do Palace, Nélio de Andrade. "Mas pelos fundamentos da decisão da juíza, não acredito que a prisão seja revogada."
Os ex-moradores temem que o ex-deputado saia do País ou atrase o andamento do processo, caso ganhe liberdade. "A prisão não pode ser revogada; vamos todos para a porta do fórum, em vigília", disse hoje a presidente da Associação de Vítimas do Palace 2. O interrogatório é a primeira fase da ação . "Se o processo seguir o curso normal, a sentença penal condenatória deve sair até julho", acredita Andrade.