Navio já derramou oito mil toneladas de ácido no mar
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quinta-feira, 10 de setembro de 1998
Agência Estado 
Oito mil toneladas de ácido sulfúrico do navio Bahamas já haviam sido derramadas no mar ontem, junto ao porto de Rio Grande, no Sul do Estado. Carregado com 12 mil toneladas do ácido trazido da Austrália, o Bahamas encalhou no cais do Porto Novo, em Rio Grande, no dia 28 de agosto. Como havia vazamento do produto altamente corrosivo e risco de explosão, a Capitania dos Portos, órgãos do governo estadual e federal, empresas envolvidas e técnicos da Fundação Universidade de Rio Grande (Furg) acharam menos danoso jogar o ácido na água, mesmo com a ameaça de uma tragédia ambiental.
Entendendo que a ameaça de explosão foi superdimensionada para possibilitar o derramamento, o professor de ecologia da Furg, Antônio Philomena, suspeita que o acidente foi forjado pela empresa proprietária do Bahamas para receber um seguro pelo barco, bastante avariado.
Uma carta enviada à Federação Internacional dos Trabalhadores em Transporte (ITF) trouxe outras revelações. Tripulantes do Bahamas denunciaram na mensagem que o vazamento ocorreu antes do navio atracar em Rio Grande. O inspetor da ITF, Roberto Alarcón, levantou outra suspeita sobre a propriedade da embarcação. O Bahamas pertenceria a uma empresa fantasma, a Genesis Navigation. O real proprietário seria a companhia Chemoil International, da Suiça.
Na quarta-feira, a organização ambientalista mundial Greenpeace divulgou algumas informações preliminares sobre a investigação que está realizando sobre o Bahamas. O Greenpeace apurou que o navio evitava os portos melhor fiscalizados do hemisfério norte desde novembro de 1995, optando pelas águas do Sul da Ásia, Oriente Médio e América do Sul. Nestas regiões, segundo o representante da ONG no Brasil, Marcelo Furtado, a inspeção dos barcos e a aplicação das leis marítimas é mais branda.


